Para o búlgaro Evgueni Ratchev que, desde 1996, atua como spalla e maestro adjunto da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL), os concertos de Brahms, de difícil execução, tornam-se referência de qualidade para orquestras no mundo inteiro que aceitam o desafio de enfrentá-los. ''Interpretar Brahms, que compôs uma das obras mais belas da literatura musical, exige muito de cada músico'', confirma Evgueni. Na apresentação de hoje, que inaugura a Temporada Ouro Verde 2003, Brahms ocupará toda a segunda parte do espetáculo, com a Sinfonia número 1 (op. 68, Dó menor), que dura 50 minutos, sendo precedido pelos não menos representativos Cláudio Santoro, com o Mini Concerto Grosso para Orquestra de Cordas; Tchaikovisky, com a Valsa das Flores e a Dança Russa, além de Camargo Guarnieri, com a Dança Brasileira.
Brahms voltará a outros concertos no decorrer da programação, que se estende até dezembro, com apresentações no teatro Ouro Verde uma vez por mês, às quintas-feiras, no horário das 20h30, e, se o espaço estiver livre, com uma repetição em matinê no domingo seguinte. ''Serão dez concertos oficiais até o fim do ano'', informa o maestro, ''e mais um por mês da série que chamamos de concertos didáticos'', quando orquestra e escolas se encontram para estimular em crianças e adolescentes o conhecimento e a apreciação da música erudita e popular.
A intenção do maestro Evgueni, para este ano, era valorizar ainda mais a música erudita brasileira nos concertos programados. Contudo, em função de despesas adicionais com direitos autorais e partituras, previstas em projeto encaminhado para a Secretaria de Cultura que não foi aprovado, a proposta terá de ser adiada. Limitações financeiras continuam sendo um dos principais problemas do cotidiano da orquestra. Em termos quantitativos, por exemplo, os cerca de 50 integrantes da OSUEL compõem um conjunto muito aquém da estrutura ideal de uma orquestra sinfônica. Para que se possa ter uma idéia do que isso significa, Evgueni cita o conjunto de primeiros violinos da OSUEL, que conta com seis musicistas, enquanto as demais orquestras, ''atuam com doze, no mínimo''.
Apesar das restrições orçamentárias, a orquestra pretende incluir solistas estrangeiros em alguns de seus concertos. Em abril, com patrocínio do Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos, deverá se apresentar no Ouro Verde o pianista americano Harold Brown e, no segundo semestre, o maestro, também americano, Michael Shahani, será o regente da orquestra em um de seus concertos oficiais. Ainda em relação a regentes, a OSUEL encontra-se em meio a um processo de seleção de maestro titular, cargo vago no momento. ''Já temos quatro nomes'', adianta Evgueni, sem contudo revelá-los, ''e são os integrantes da orquestra que vão dar a última palavra sobre o assunto''.
O Teatro Ouro Verde, recém-reformado, ainda não foi totalmente aprovado. ''Parece que a acústica melhorou um pouco'', avalia Evgueni, ''mas, pelo menos no ensaio, o ar condicionado não estava funcionando''. Outro ponto negativo, segundo o maestro, é que, agora, os camarins são abertos no alto, ''o que prejudica a afinação dos intrumentos pelos músicos antes do espetáculo, em função da confusão de sons''. De qualquer forma, a orquestra vai se apresentar, trazendo para o público, no tom mais harmonioso possível, um Brahms desafiador. Como explica Evgueni, ''todo maestro procura, como objetivo final, que sua orquestra, apesar dos diferentes sentimentos e temperamentos de seus integrantes, soe como um instrumento único''.
Serviço: Concerto de Abertura da Temporada Ouro Verde 2003, com a Orquestra Sinfônica da UEL sob a regência de Evgueni Ratchev. Hoje, às 20h30, no Cine Teatro Ouro Verde. Entrada franca.

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