A noite dos sanfoneiros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de agosto de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Arquivo FolhaOswaldinho do Acordeon está entre os músicos que se apresentam hoje em CuritibaO acordeon - ou gaita, ou sanfona - ganha ares de rei nesta noite, no encerramento do Encontro Internacional de Acordeonistas no Centro de Convenções, em Curitiba. As estrelas que sobem ao palco: Paolo Gandolfi e Mirco Patarini, da Itália, Frank Marocco, dos Estados Unidos, e os brasileiros Osvaldinho do Acordeon, Oscar dos Reis, Antonio Assalin, Gilda Montans, Mary Genaro e Adelar Bertussi.
O instrumento, que em décadas passadas era comum nas casas de família, teve seu apogeu nos idos dos anos 40, e caiu no ostracismo duas décadas depois. Eventos como este são uma forma de divulgar a arte e valorizar os instrumentistas.
Promovido pela Associação dos Acordeonistas do Brasil, o encontro chega à sua 15ª edição no País. Pela segunda vez realiza-se no Paraná. A arrecadação será destinada ao Provopar - Programa do Voluntariado Paranaense.
Os novosA primeira noite ficou para os iniciantes. Entre eles estavam Derly Pinheiro, de Porto Alegre, e Jaciano dos Reis Fogaça, de Caxias do Sul. Ambos são alunos de Oscar dos Reis, professor de renome internacional.
Derly sempre teve especial encanto pelo acordeon, mas por falta de condições financeiras não pôde levar adiante o plano de ser músico. Aos 27 anos passou a se dedicar ao instrumento. Passou por vários professores antes de chegar até Reis. Tenho muito que aprender, diz.
Jaciano Fogaça, 19 anos, estudante do segundo grau, há quatro anos estuda com mestre Oscar. Teve as primeiras noções desde muito pequeno, ensinadas pelo pai, que também era músico. Os ritmos que embalam a juventude não são os de sua preferência. Não atingem a minha cabeça, conta.
Ele se deixa levar pelo chorinho, chamamé (música argentina que mexe com o espírito da pessoa, especialmente no improviso), e os clássicos gaúchos: vanero, bugio, xote, valsa, tango. Bicampeão no Rodeio Campo dos Bugres, em Caxias do Sul, e Rodeio Integração Cone Sul (Vacaria), entre outros prêmios, Jaciano quer seguir a carreira de músico. De comprovado talento, falta-lhe incentivo: Hoje está difícil viver de música, lamenta.
Falta de teatroAdelar Bertussi, com quase meio século de música, mais de 40 LPs e nove CDs, por muitos anos formou um duo com seu irmão Honey. Eram os Irmãos Bertussi. Depois da morte de Honey, juntou-se ao filho Gilnei. Faz em média 100 bailes ao ano. Quando fechar 1997 atingirá a casa dos 4 mil bailes tocados, afirma.
Ele é autor de Continente de São Pedro, que vendeu 30 mil unidades pela gravadora Copacabana. Está no disco Adelar Bertussi e Sua Música Clássica.
O acordeonista reclama de espaço para tocar. Faltam teatros de pequeno porte, seja em Curitiba como Porto Alegre. As casas de espetáculos são em sua maioria muito grandes; e também não há programas que eduquem o público, com solos dos instrumentos mais variados. Só as grandes orquestras têm oportunidade de tocar, o músico não, critica. Quanto ao público é diferente. Onde houver um acordeon, haverá sempre platéia.
O norte-americano Frank Marocco, com mais de 50 anos de profissão, tem uma longa história artística. Participou de 200 trilhas sonoras nos filmes produzidos em seu país, como O Rei Leão e A Noviça Rebelde. Tem 11 CDs, toca qualquer tipo de música que lhe for solicitada, mas o coração palpita emocionado quando o assunto é jazz. É a minha especialidade, afirma.
Marocco visita Curitiba pela primeira vez, mas é a terceira que visita o Brasil. Depois de se apresentar no Centro de Convenções faz escala em São Paulo, onde tem espetáculos marcados na capital e em cinco cidades do interior.
q Encontro Internacional de Acordeonistas . Hoje, às 20h, no Centro de Convenções, em Curitiba. Ingressos: R$ 5,00.


