O drum'n'bass nacional foi mapeado. Marky, Patife, Xerxes de Oliveira, Ramilson Maia e Andy são alguns dos DJs e produtores que participam do CD duplo ''Sambaloco Espiritual Drum'n'bass Vol.1'', lançado esta semana pela gravadora Trama com a pretensão de fornecer um painel do gênero.
O álbum-coletânea reúne 23 faixas coalhadas de batidas frenéticas, baixo pulsante e texturas diversas. A grande novidade é a faixa ''Tudo'', a primeira composição própria de DJ Marky, principal nome da corrente e figura de prestígio no circuito internacional.
A música foi lançada em março no exterior incluída na coletânea ''Brasil EP'' ao lado de faixas de Max de Castro e remixes de Xerxes de Oliveira e DJ Patife. As surpresas, porém, não param aí. Uma fornada de composições sutis e bem elaboradas apontam para a evolução da cena.
''O drum'n'bass brasileiro possui uma identidade definida, particular, que não sofre tanto as influências do padrão inglês'' explica Guilherme Lopes, do duo paulistano Drumagick. Ele diz que o gênero estourou em meados da década de 90, teve uma queda e agora voltou trazendo inovações. ''Esta coletânea é um reflexo das pesquisas sonoras atuais e retrata a nova era da música brasileira'' anuncia.
Prova das experimentações por que passa o estilo, é a própria presença de Guilherme no disco. Além da faixa com o Drumagick, fundado com seu irmão JR Deep, ele empresta seu nome aos projetos Ramgui e Prespeus em respectivas parcerias com o produtor Ramilson Maia e com o músico erudito Fábio V. Se com o primeiro incide teclados bucólicos aos break beats, com o segundo oferece um arranjo para violino na surpreendente ''Conversa de Família'', um dos pontos altos do CD.
Maia, por sua vez, incorpora percussão brasileira em ''Pé de Pano''. Na origem britânica, o estilo caracterizava-se em primeiro plano pelas batidas ultra-sincopadas (cerca de 175 batidas por minuto), baixo lento e harmonias sombrias. Na versão tropical, começa a receber infinitas abordagens distanciando-se da ortodoxia.
DJ Patife, outro de projeção internacional, também mostra-se inspirado no disco embutindo metais jazzísticas ao redemoinho das BPMs em ''The Vibes''. Não fica atrás Xerxes de Oliveira, cujo projeto XRS Land destaca-se com ''Caionagandaia'', que tem participação especial da cantora Fernanda Porto em uma das poucas faixas cantadas da compilação.
Palmas ainda para o produtor Bruno E, autor de duas faixas a bordo do projeto O Discurso. Em ''Mr Pharmacist (Cosmonautics Samba Jazz Mix)'', ele mescla vocais, levadas funky e um órgão de garagem anos-70. Já em ''Sertão (DJ Strech's Mix)'', sobrepõe camadas de batidas rápidas com fraseados de violas caipiras. As tradições musicais brasileiras, aliás, comparecem em boa parte da coletânea seja na forma de samples ou na participação de músicos no estúdio.
O drum'n'bass nacional exercita fusões. Vai acabar exportando outros nomes, além de Marky e Patife, para animar as pistas de dança européias e americanas.

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