O Teatro Paiol recebe a partir de hoje, até domingo, um Encontro de Música Independente, uma tentativa de se mostrar o que é produzido no Brasil, longe do poderio das grandes gravadoras multinacionais. Serão oito atrações ao todo, com representantes do Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
ReproduçãoCapa do CD‘‘Brejeira’’, de Rose Moraes, cantora paranaense que se apresenta hoje no Paiol, na abertura do projetoÉ música em estado puro, bruto, antes de ser embrulhada na roupagem do sucesso, que deixa tudo muito parecido e muito chato. É claro que nem tudo que está ligado às grandes gravadoras é ruim. Também é claro que a grande maioria dos independentes vive sonhando com um bom contrato. Mas ninguém pode negar que as ondas de pagode, axé, sertanojo, country e quejandos só diminuem a riqueza da música brasileira. E essa riqueza, em grande parte, resiste com os independentes.
A promoção deste encontro é dos músicos Grace Torres e Ulisses Galetto, produtores do programa ‘‘Fora do Eixo - A Música Sem Contrato’’, veiculado pela Rádio Educativa do Paraná FM nas quintas (97,1 MHz), às 20h30 e nos sábados, às 17h30 - a Educativa AM, infelizmente enterrou o nível da programação e por isso não reproduz mais o programa.
ReproduçãoCapa do CD ‘‘Sabor do Pecado’’, da dupla Ivânia Catarina e Carlos Gomes, ativos participantes de festivais da cançãoAntigamente discutia-se se a arte era engajada ou não e a expressão caminhava politicamente da esquerda para a direita conforme mudavam também os governos. Hoje, como quem manda mesmo são as empresas - e é só ver o que aconteceu com a seleção brasileira para se saber o poder que elas têm -, a arte é engajada ou não ao poder econômico.
Quem tem poder (econômico) pode fazer uma boa produção e - até mais importante para a divulgação do trabalho - pagar um ‘‘jabacul꒒ em alguma importante rádio em rede nacional, aparecer em trilha de novela ou mini-série da Globo e assim ganhar projeção nacional.
Quem não tem poder (econômico) vive de suor e migalhas. Suor da força de vontade de sobreviver e criar música em um meio hostil, que pouco se lixa para o que ele está fazendo, quando não o ataca frontalmente, tentando sua aniquilação. Mas existem as migalhas que podem vir dos poderes públicos, através de leis de incentivo à cultura, ou particulares, com veículos de comunicação que resistem às imposições de um mercado dominado pelas grandes gravadoras.
Com suor e migalhas a resistência e a criação existem. Os músicos conseguem até gravar discos, mas em pouca quantidade e estes geralmente não chegam aos ouvidos dos possíveis consumidores. Quando chegam às rádios, estas não tocam. Mais difícil ainda é achar esses CDs em lojas de discos que, na crise atual, só pode arriscar naquilo que tem venda garantida.
Por tudo isso, é muito importante iniciativas como as do programa ‘‘Fora do Eixo’’, dos produtores e músicos Grace Torres e Ulisses Galetto. Além de promoverem música de boa qualidade, facilitando o acesso aos ouvidos do público, promovem agora, na comemoração do primeiro ano de aniversário do programa, participações ao vivo.
Quem for ao Teatro Paiol, de hoje a domingo, vai poder ver e ouvir um breve panorama do que está sendo feito na nova música brasileira. Hoje, apresentam-se a cantora Rose Moraes, do Paraná, que acaba de lançar o CD ‘‘Brejeira’’, e a dupla Ivânia Catarina e Carlos Gomes, respectivamente de Minas Gerais e São Paulo, que gravou o CD ‘‘Sabor de Pecado’’ (veja matéria nesta página).
Amanhã, tem o grupo Taquara Rachada (PR) e o quinteto instrumental de Paulo Brioche (SP). Sábado, dividem o show os artistas Elizah e Guinha (RS e SC) e a banda Woyzeck (PR). No domingo, encerrando o encontro, estarão os grupos paranaenses Allegro Ma Non Presto e Fato.

mockup