A MÚSICA EM PRIMEIRO LUGAR
2ª edição do Festival de Música da Cidade Canção mostra variedade de gêneros musicais
Celina Alonso Az
Ossamu KandaA Banda Metrópole abriu o evento com a música ‘‘Festival’’A abertura do 20º Festival de Música Cidade Canção, na quinta-feira, confirmou sua proposta original. Todos os participantes dos mais diferentes pontos do Brasil deixaram transparecer, antes de tudo, o seu amor pela música. Longe de ser uma mostra competitiva, o Festival é um momento de integração em que o que vale mesmo é a força da canção. Em diversos gêneros musicais, do reggae ao maracatu passando pelo bolero e o rock, não faltou poesia. As letras mostram que ainda tem gente com vontade de cantar as coisas do Brasil, da sua gente, de gritar suas misérias, questões sociais e protestos contra a corrupção, como nos festivais de antigamente.
O desfile das 18 composições começou com a apresentação da Banda Metrópole de Maringá que interpretou a música ‘‘Festival’’, de Lídio Roberto, de Curitiba, que venceu o Femucic de 1981. ‘‘Festival é um lindo som, onde poetas se reúnem pelos cantos, pelas palavras que se exprimem em emoções, em coloridos versos que semeiam as canções’’
Ossamu KandaGigi Castro, correta, propôs um renascimento interiorO romantismo também marcou seus pontinhos. ‘‘Vem meu amor vamos viver nosso luar de prata’’, era o convite de Uilma Miranda, com a música ‘‘Fuga em Serenata’’, de Francisco Elpídio, de Fortaleza. Também veio de Fortaleza uma proposta de autoconhecimento para o terceiro milênio, na ‘‘Das Cinzas’’, de Gigi Castro. Cantora e presidente da Associação dos Corais Infantis da capital cearense. ‘‘Renascendo de mim mesma e do constante renascer... não endurecer como os cristais e nem amadurecer sem estar maduro, como uma Fênix, renascer de mim’’.
A proposta de preservação ambiental vinda da Paraíba veio com Erivan Araujo em ‘‘Manaira - Ode a ira’’. ‘‘Sou minha alma nua rolando na areia que a ira dos homens não te destruam e que o amor dos anjos te conservem assim, alegria dos mortais. Me sinto um Araribóia parido na tua areia, contemplando tuas águas. Passa a ira, passa o óleo, passa o homem que lhe explora’’.
Ossamu KandaJ. Nogueira mostrou um pouco da piração urbanaUm pouco da piração urbana veio com reggae made-in Londrina de J.Nogueira em ‘‘America’’: ‘‘Os imundos trens da corte de base medieval, não dá para acolher, nem dá para reter quem vem de baixo-astral. Paralela no espaço, sob a linha do Equador existe a música. Sou fissurado em te ver, América’’. E a dificuldade do artista no momento de criação, de lapidar a obra que não pode ser lapidada e o sofrimento da busca da perfeição no processo criativo, vieram na letra de Manuel Buarque Neto de Recife na ‘‘Ordenhador de Seixos’’ na voz de Kellia Phaysa.
Ossamu KandaNa ‘‘Terra Caída’’, de Jorge Dissonância de Belo Horizonte estão a dor do nordestino em ver seu chão ressecado, sua gente sofrida passando fome e miséria. E uma outra versão da vida no campo veio com o grupo Ozégua, de Goioerê no rock ‘‘Sítio Porreta’’, que com bom humor mostra a saga de um pequeno agricultor que compra uma TV, uma bomba elétrica e que na hora de acertar com o banco perde tudo o que tem. ‘‘Sítio porreta, o que se planta colhe, o que se planta dá, dor de cabeça de pagar o banco, no final da colheita’’. E a malemolência dos ritmos nordestinos levantaram a platéia na canção ‘‘Folgança’’ de Naldinho das Alagoas: ‘‘Escurregô, rolou as ladeiras, e saiu rebolando com dor nas cadeiras’’, momento de excitação da platéia que lembrou os grandes festivais do passado.

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