A música do cinema e bons filmes no festival
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sexta-feira, 17 de maio de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha 2 
Cannes - As milhares de pessoas que circulam diariamente pela área próxima ao Palais des Festivals, em Cannes, têm mais um bom motivo para curtir o festivo clima de cinema que tomou conta da cidade. Para festejar os 55 anos da mostra, começou ontem a Promenade Musicale. Na inauguração, uma homenagem aos compositores Ennio Morricone, Jean-Claude Petit, Antoine Duhamel, Francis Lai, Howard Shore, Randy Newman e Angelo Badalamenti. O público viu e aplaudiu um concerto com a Orquestra Provence-Alpes-Côte dAzur, e em seguida brindou com champanhe oferecida pelos donos de hotéis e restaurantes localizados num trecho da Croisette de aproximidamente um quilômetro (entre os hotéis Martinez e Majestic). Nas tardes e noites dos próximos dias, 27 terminais sonoros instalados em 40 cabines construídas na praia vão difundir músicas de trilhas sonoras de 54 grandes filmes realizados a partir do primeiro ano do festival, 1946, chegando até 2001 com Moulin Rouge. E ontem começaram também as projeções públicas ao ar livre, em plena praia. É a Salle des Sables, ou Sala das Areias, com um gigantesco telão erguido sobre a água. Neste fim de semana, a grande homenagem a Jacques Tati, morto há 20 anos, com a projeção de As Férias de M. Hulot, Carrossel da Esperança e Meu Tio. No dia 24, Quanto Mais Quente Melhor, lembrando o gênio Billy Wilder.
Exibidos até aqui seis filmes na competição oficial, outros tantos fora de concurso e nas paralelas Un Certain Regard, Quinzena dos Realizadores e Semana Internacional da Crítica, por enquanto é possível celebrar uma seleção de bons títulos, exatamente nos limites da diversidade estética e temática apregoada pelo diretor artístico do Festival, Thierry Fremau. Até mesmo Histoires de Festival, o documentário comemorativo de 26 minutos dirigido pelo veterano diretor de Cannes, Gilles Jacob, pode ser considerado amável em sua fórmula de arrebanhar vivos e mortos extraídos das 54 edições de Cannes e reencontrados através de imagens já bem desgastadas, ou em nebuloso preto e branco ou em cores esmaecidas de retransmissões televisivas.
As celebridades mais cintilantes e colunáveis, hollywoodianas ou européias, estão vindo este ano como convidadas hors concours da direção do Festival. Em outras palavras: salvo poucas exceções, os elencos da grande maioria dos filmes selecionados não registram nenhum nome capaz de fomentar grandes frissons populares ao pé da escadaria do Palais, espécie de altar pagão onde todas as tardes e noites se comprimem legiões de ardentes fãs para incensar suas divindades. Por isso, e se vier, Jack Nicholson deve fazer muita diferença quando chegar a vez de About Schmitd. E entre as mulheres, a fogosa Monica Belluci com certeza vai subverter a montée de marches com seu perfume de escandâlo em Irrevérsible, previsto para a próxima sexta.


