A música foi a forma escolhida para incluir de vez, tanto nacional como internacionalmente, a região do Vale do Rio São Francisco, sertão nordestino, na rota do ecoturismo. O pontapé inicial será dado nos dias 3, 4 e 5 de dezembro com a realização do 1º Ecofestival, que terá como palco a Cachoeira de Paulo Afonso, localizada na divisa dos Estados de Pernambuco, Alagoas, Bahia e Sergipe. Trata-se de um megaevento que trará grupos e cantores nacionais e internacionais ligados à causa ambientalista.
O pacote de atrações artísticas deverá estar completamente fechado dentro de dez dias. Mas já estão confirmados, até agora, três shows internacionais (o grupo sul-africano Ladysmith Black Mambazo, o quarteto norte-americano de gospel Might Clouds of Joy e o consagrado violinista francês Jean-Luc Ponty). O Brasil estará representado, por enquanto, através de Hermeto Pascoal, Nana Vasconcelos, Dominguinhos, Quinteto Violado, Margareth Menezes, Lazzo, Mundo Livre e Ile Aiyê.
Orçado inicialmente em 1,3 milhão, o 1º Ecofestival sairá do papel com um recurso total de R$ 750 mil, dos quais R$ 150 mil patrocinados pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, a Chesf, construtora da Usina de Paulo Afonso. O restante vem do Governo da Bahia, através de captação de recursos provenientes da Lei de Incentivo à Cultura. A produção do evento foi entregue às mãos de Elizabeth Cayres, uma prestigiada produtora que tem em seu currículo a realização do Percpan (Festival de Percussão).
O lançamento oficial do Ecofestival aconteceu na última terça-feira na sede da Chesf, em Salvador e reuniu jornalistas de vários veículos nacionais. Num clima sisudo, representantes da companhia se alongaram em conversas técnicas e muitas vezes retóricas. ‘‘Esse evento vai servir para sensibilizar o Brasil e o mundo que o Rio São Francisco é um patrimônio que precisa ser cuidado’’ - resumiu Carlos Augusto Costa, coordenador de Relação Institucional da Chesf.
Além de atrair a atenção das pessoas para o ecoturismo da região, o Ecofestival acontece justamente no ano em que a Chesf completa 50 anos de fundação. A idéia inicial, ainda segundo Costa, era fazer um evento maior que reuniria, além da música, feiras de tecnologia ambiental e esportes durante uma semana. O local escolhido em Xingozinho, uma região localizada na confluência dos estados da Bahia, Alagoas e Sergipe.
Porém, como explica, a necessidade de dotar o local com infra-estrutura necessária e, consequentemente, buscar parcerias para captação de recursos fez com que os organizadores alterassem os planos. Daí, a idéia de se comemorar os 50 anos da Chesf, que está na lista de empresas que o Governo Federal quer privatizar, num formato menor porém não menos incisivo.
‘‘O pontapé inicial foi com a música porque ela é universal. Além disso, a gente optou por fazer em outro local dado ao simbolismo ser maior. Afinal, a Cachoeira de Paulo Afonso é o maior símbolo do Rio São Francisco’’ - diz ele, acrescentando que nos próximos anos a intenção é de não resumir o Ecofestival só à música. ‘‘O formato desse evento está sendo construído. É provável que no próximo ano se formate com a dança também’’ - complementa.

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