Arquivo FolhaMagali Kleber: cursos de guitarra e bateria, na área de música popular, vêm atender a uma reivindicação dos participantes do último festival As inscrições para os cursos do 18º Festival de Música de Londrina (FML) terminaram no final de semana. Até sexta-feira, a expectativa dos organizadores era de que o número de inscritos chegasse à casa dos 800 alunos (aproximadamente 500 vagas já haviam sido preenchidas até quarta-feira).
A organização do festival promete muitas novidades para este ano. A começar pelo número de cursos programados para essa 18ª edição. Até o ano passado foram 46 cursos; este ano já são 52. Segundo Magali Kleber, diretora pedagógica do festival, um dos cursos mais procurados é o de ‘‘Música na Escola: Uma Proposta para Professores Não Especializados’’, ministrado pela professora Jusamara Souza, do Rio Grande do Sul.
O curso vem ao encontro das mudanças provocadas com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), prevista para entrar em vigor no próximo ano. A principal alteração recai sobre a lei 5692, de 1972, que acabou com a educação musical no ensino de 1º e 2º graus, substituindo-a pela educação artística.
Magali Kleber acredita que no próximo ano a LDB, que propõe a volta do ensino musical, já esteja regulamentada. ‘‘É uma reinvidicação antiga o resgate da música na educação. A música é tão importante quanto a matemática, o português ou qualquer outra disciplina’’, diz.
O curso ‘‘Música na Escola’’ discute o papel da música no currículo da escola fundamental e propõe o desenvolvimento de modelos práticos para aulas de música. ‘‘A idéia é dar condições aos professores de dar aula e difundir a linguagem musical, por isso demos prioridade nas inscrições para os professores da rede municipal de ensino’’, explica Magali Kleber.
Neste ano serão realizados pela primeira vez os cursos de correpetição e de prática de Big Band. Correpetição ou acompanhamento de cantores de ópera é uma das vertentes, pouco explorada no Brasil, na qual o pianista pode atuar. A professora italiana Angiolina Sensale é quem ministra o curso.
Vitor Hugo Gorni, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é quem dá o curso de prática de Big Band. A atividade é específica para bandas de jazz e MPB, onde os inscritos vão ter a orientação de como executar música popular para orquestra, com instrumentos de sopro.
Outra novidade no Festival de Música deste ano é o laboratório de ‘‘Criação Musical’’, onde músicos e estudantes vão poder escutar, analisar e criar composições. Já o curso de música aplicada traz outro italiano para Londrina, o professor Giovanni Luisi, que vai orientar os alunos na produção de trilhas sonoras para cinema e filmes publicitários.
Dois cursos novos, de guitarra e bateria, na área de música popular, vêm atender a uma reivindicação dos participantes do último festival, que sentiram a necessidade de usar estes dois instrumentos. Segundo Magali Kleber, todo ano, no final do festival, é feita uma pesquisa para detectar os resultados dos cursos e as expectativas dos músicos. ‘‘Outro pedido dos estudantes e músicos para este ano foi dar um enfoque maior à música brasileira no repertório de Canto Coral’’, diz Magali Kleber.
O curso de Canto Coral para adultos será ministrado pela professora Mara Campos, de São Paulo, e o curso infantil será dado pela professora Elsa Locks, do Rio de Janeiro, considerada uma das melhores profissionais do Brasil nesta área. O objetivo do coral é mostrar mais a música brasileira, tanto a popular quanto a erudita. No encerramento do evento haverá apresentação do Coro do FML.
Para este ano serão trazidos a Londrina dois pianos, um Steinway de cauda inteira e um Yamaha de meia cauda. ‘‘Nós conseguimos os pianos com a empresa carioca Marcos de Ssaune e eu tenho certeza que vão ser muito aproveitados pois são instrumentos de altíssima qualidade, utilizados para recitais de grandes pianistas’’, explica Magali Kleber. Ela também espera que o sucesso dos pianos possa sensibilizar a população e deflagrar uma campanha para a compra de instrumentos como esses para Londrina. ‘‘A cidade merece um gran piano de concerto’’, completa Magali.
Outra atividade que sempre foi sucesso no festival volta este ano: o curso de Violino Método Suzuki. Ministrado pela professora Shinobu Saito, com doutorado nos Estados Unidos nesta área, o curso agrega desde o aluno iniciante até o mais avançado, inclusive crianças. ‘‘Londrina já iniciou e formou muitos profissionais nesta área’’, observa Magali Kleber.
Segundo a diretora do FML, a exemplo de anos anteriores, músicos do Brasil inteiro e até do exterior vêm a Londrina participar do evento. Há três anos na direção pedagógica, Magali Kleber acredita que a função cultural e artística do evento vêm sendo cumprida: ‘‘É uma ótima oportunidade para os alunos de música terem contato com os grandes mestres, e é gratificante saber que grandes músicos surgiram nos festivais.’
O evento deste ano teve o projeto aprovado pela Lei Rouanet e também é beneficiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o que, segundo Magali Kleber, possibilitou maior captação de recursos junto à iniciativa privada.
No Colégio Mãe de Deus é onde vão se concentrar o maior número de cursos do festival. Mas outros lugares no centro de Londrina também serão palco do aprendizado desses artistas: Colégio São Paulo, Conservatório de Música de Londrina, Associação Médica, Igreja Metodista, Teatro Universitário, associação japonesa BSGI Soka Gakkai e UEL.

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