Arquivo FolhaValéria Valenssa: a mulata das vinhetas tira a roupa com naturalidade e sonha ser atrizApesar de ser famosa, a modelo Valéria Valenssa corre sempre o risco de não ser reconhecida na rua. As roupas, ao esconder suas formas, podem tirar a principal referência que o telespectador tem dela. Afinal, nos seis anos em que aparece nas vinhetas de Carnaval da Globo, ela nunca apareceu vestida. ‘‘Nunca tive problemas com o meu corpo, nem com o nu’’, orgulha-se Valéria. Com 50 kg e 1,70 m de altura, a mulata garante que não é assídua frequentadora das academias de ginástica nem uma pessoa obcecada por dietas. ‘‘Tenho sorte de manter a forma’’, minimiza.
Na verdade, Valéria não se preocupa com o corpo. Ela agradece aos anos de handebol no colégio a boa forma de seus 25 anos. Apesar do desprendimento com o corpo, foram suas medidas que a ajudaram a conquistar o quarto lugar no concurso de Garota de Ipanema em 1989. Mais do que o título, Valéria conseguiu a admiração de um dos jurados: Hans Donner. ‘‘Logo depois o Hans me chamou para fazer o teste da vinheta’’, acrescenta.
Nas vinhetas, a moça mostra simplesmente o que está acostumada a fazer desde criança. ‘‘Sempre sambei e pulei o Carnaval’’, afirma. O detalhe do corpo nu apenas coberto com a tinta, também não era novidade. ‘‘Dentro de casa sempre andei de calcinha e suti㒒, compara.
O costume é, segundo ela, resultado de uma criação liberal. ‘‘Minha mãe sempre conversou comigo temas considerados tabus’’, afirma. Além da criação, a vaidade também ajuda Valéria a querer expor o próprio corpo. ‘‘Gosto de trabalhar com o nu e me ver pelada’’, admite.
CansaçoPara Valéria, o trabalho de tirar a roupa é fácil, mas nem tudo é prazer no trabalho de Globeleza. A preparação para as gravações é, segundo ela, bastante cansativa. Cada pintura leva, em média, 16 horas para ficar pronta. ‘‘Tenho que me manter parada durante esse tempo’’, reclama.
O trabalho é feito em partes. Enquanto um pedaço do corpo está secando, outro é pintado. Nesse ano, as três sessões de pintura totalizaram 48 horas - a cada dia, uma pintura. E no tempo em que se finge de estátua, ela não pode parar nem para comer: tem de se contentar com chazinho.
Mas Valéria reclama mesmo é do trabalho de tirar a tinta do corpo depois que a vinheta é gravada. ‘‘Esse ano ficou mais fácil porque a tinta era à base de água’’, diz, aliviada. Contudo Valéria ainda fica indignada ao lembrar da sua vinheta de estréia. A produção usou tinta de automóvel, o que a obrigou a tomar um desagradável banho de redutor após as gravações.
Apesar de viver do corpo, a mulata não tem medo da velhice. ‘‘É uma consequência natural’’, resigna-se. Valéria, no entanto, prepara-se para o futuro: faz parte do Chico Anysio Show, como a empregada do Nazareno. E, apesar de ter recusado o convite do diretor Walter Avancini, para ser a Xica da Silva na Manchete, diz que quer seguir a carreira de atriz. ‘‘Gostaria de fazer novela’’, sonha. Mas, pelo jeito, só aceita se for na emissora que a lançou.

mockup