"A Muralha" é salto no escuro, segundo Daniel Filho
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quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Sônia Apolinário 
Rio, 15 (AE) - Um "salto no escuro". Assim, o diretor da Central Globo de Criação, Daniel Filho, define a expectativa da emissora em relação à minissérie A Muralha", que estréia dia 4, às 21h30. Em entrevista, segunda-feira, no Projac, ele disse ter "dúvida e medo" da recepção do público. "Essa minissérie é um risco porque não tem glamour", afirmou Daniel Filho. "Vamos mostrar uma época pouco conhecida, com imagens que podem parecer estranhas", continuou. "É uma situação complexa."
Ambientada no ínício do século 17, a história mostra a ação dos bandeirantes em São Paulo. Foi adaptada do livro homônimo de Dinah Silveira de Queiroz por Maria Adelaide Amaral. No elenco estão Tarcísio Meira, Alessandra Negrini, Mauro Mendonça, Paulo José, Claudia Ohana, Alexandre Borges e Stênio Garcia, entre outros.
A criação e experimentação, na TV aberta, "tornou-se complicada", atualmente, na avaliação de Daniel Filho. "Hoje, seria difícil, por exemplo, colocar um musical como Chico & Caetano, como já tivemos, no horário nobre", afirmou.
Novelas como "O Rebu", de Bráulio Pedroso, exibida em 1974, às 22 horas, dificilmente encontrariam lugar na grade hoje. "Naquela época, o horário era formado por um público das classes A e B", explicou Daniel Filho. "Agora, houve uma mudança do público, já que mais pessoas das classes D e E possuem aparelhos de televisão." É por essas e por outras que o diretor diz que ficará feliz se A Muralha" conseguir "vinte e poucos pontos" de audiência. Atualmente, segundo ele, programas exibidos no horário conseguem 22 pontos. A meta da emissora é de 25 pontos. Chiquinha Gonzaga conseguiu, mas o diretor admite que a atração estava mais próxima de um "novelão".
Ele discorda da forma como a questão da audiência é tratada hoje - os números levados em conta são os obtidos em São Paulo, maior mercado publicitário do País e onde é feita a aferição minuto a minuto. "A audiência de São Paulo não representa o Brasil."
Dos cinco projetos idealizados por Daniel Filho para contar 500 anos de Brasil, só "A Muralha" foi aprovado pela emissora. Cada um abordaria um século diferente. "As outras não foram feitas por conta de processos financeiros", afirmou. "E haveria dificuldade de colocar os programas no ar por falta de espaço na grade."
Segundo o diretor, existe a possibilidade de Vargas", último texto de Dias Gomes para a TV, que fazia parte do projeto inicial, ser retomado. A história deve ser reduzida de 12 para 8 capítulos e entrar em produção no fim de 2000.
O diretor admite que está com menos atribuições. Tanto que pretende conciliar seu trabalho na emissora com a realização do longa "A Partilha, em fase de captação de recursos e orçado em R$ 2,5 milhões.


