‘‘A Múmia’’ chega para divertir
Filme que estréia hoje no Brasil não é para ser levado a sério
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
Procure não se esquecer disto, quando estiver no cinema: você terá pago para assistir ‘‘A Múmia’’ (filme estréia hoje no Brasil, confira programação de cinema na página 4). Mas ela demora para aparecer. Quase uma hora. Durante todo esse tempo você terá a impressão de estar assistindo a uma versão requentada de Indiana Jones, com Brendan Fraser no papel de Harrison Ford.
É o partido do diretor Stephen Sommers: ele desloca a ação da múmia para o mocinho estilo Indiana Jones. Qualquer espectador que queira fazer uma leitura ideológica do espetáculo ficará horrorizado com o tratamento que o diretor dá aos egípcios: são repelentes, para se dizer o mínimo. Mas, claro, ninguém vai ver um filme desses por ideologia. ‘‘A Múmia é diversão.’’ Só que não é inconsequente. É um filme sob medida para acirrar preconceitos.
A história é uma salada de frutas com os personagens e dinastias do Egito Antigo. Sommers não se preocupou nem um pouco com a veracidade. Mistura faraós com a maior sem-cerimônia, coloca os gatos como guardiães da morte, quando eles eram símbolos de fertilidade, e por aí vai.
Então, por que as pessoas vão ver ‘‘A Múmia’’? Uma boa resposta talvez seja a sessão realizada no fim de semana para o Colégio Bandeirantes, em São Paulo. Zorra total: cerca de 800 estudantes quase piraram vendo o filme. Assobios, aplausos, tiração de sarro - valeu tudo. Claro que, nas sessões normais de ‘‘A Múmia’’, não será a mesma coisa. Mas o espírito da coisa é esse.
‘‘A Múmia’’ tem tão pouco a ver com múmias de verdade que o diretor achou bobagem perder tempo enrolando seu vilão de 3 mil anos com ataduras. Múmia sem atadura não existe. A de Sommers, ao contrário da de Boris Karloff, dispensa os panos para abusar dos efeitos especiais digitalizados. É a razão de ser do espetáculo. Muitos (exagerados) efeitos especiais, com mais fantasmas do que múmias, numa variação de ‘‘Poltergeist’’. Em princípio, é tudo para ser divertido e nada para ser levado a sério.

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