A mulher que fotografa mulheres
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Gilberto Amendola<br> Agência Estado 
Gilberto Amendola
Agência Estado
O garçom bate desesperado no vidro que separa o restaurante de uma área externa. Clientes interrompem seu almoço e turistas olham estupefatos. Quem é essa menina de pé sobre o parapeito do Edifício Terraço Itália, a 165 metros de altura? Alheia ao tumulto que tinha acabado de provocar, Autumn Sonnichsen desce do parapeito e pergunta, numa calma intrigante: Será que a foto ficou boa?. Pois é, nada demais. Autumn já está se acostumando a olhar o mundo dessa posição: do topo.
Aos 26 anos, ela pode ser considerada a bola - e a bela - da vez no mundo da fotografia. Não qualquer fotografia, mas as sensuais, aquelas que ela chama sem nenhuma cerimônia de fotos de mulher pelada. Autumn tem trabalhos publicados em algumas das principais revistas masculinas do Brasil, como Playboy, Trip e a extinta Ele & Ela. Foi ela, aliás, quem fotografou a capa da Playboy que estará nas bancas na próxima semana, com a ex-BBB Cacau.
A fotógrafa nasceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, numa família de professores. Embora não tivesse artista em casa, Autumn sempre esteve próxima de obras de arte. Chegou a cursar faculdade de História da Arte, mas desistiu para viajar pelo mundo. Esteve em Honduras, Paris e Alemanha, onde tornou-se assistente de fotografia e começou a criar um estilo próprio. Gosto de contar histórias através das minhas fotos. O corpo feminino me conta muitas histórias.
Quando chegou ao Brasil, em 2005, Autumn já arranhava o português. Hoje, fala praticamente sem sotaque. Sua única dificuldade em relação ao idioma é fazer os outros pronunciarem seu nome corretamente. Se vou marcar mesa em algum restaurante ou na porta de uma balada, digo que me chamo Ana. É muito mais fácil. Já aconteceu de contratantes pensarem que era um homem. Sou o dr. Autumn. Outras vezes, pensam que eu sou a assistente do dr. Autumn. Isso porque não imaginam uma menina de 26 anos tirando foto de mulher pelada.
Sua primeira impressão de São Paulo não foi boa. Achou tudo frio, cinzento, sem graça... O pé atrás só terminou quando começou a olhar a cidade do alto. São Paulo parece um cartoon. É tipo a cidade do Super-Homem ou uma coisa meio Disney, sabe? A cidade dos 101 Dálmatas. Já instalada na capital, Autumm começou a fotografar para a revista Ele & Ela. Mas eles não tinham grana, pagavam pouco. Em contrapartida, me davam a liberdade para fazer a foto que eu bem quisesse. Fiz uma coisas bem ousadas, como um ensaio com strippers. Não demorou para outras publicações procurarem a americana.
A fotógrafa diz que seu diferencial é o respeito que tem pelas modelos. Eu entendo o sonho de uma menina que quer posar para a Playboy. Pode não ser grande coisa para mim, mas para ela é tudo. Faço o máximo para deixá-las à vontade e lindas. Para ela, as brasileiras são mais travadas do que as europeias. Na Europa, as meninas estão acostumadas a andar nuas em parques e praias. Aqui, não. No Brasil, o nu é um acontecimento. Na sociedade brasileira não existe meio termo. Ou a mulher é santa e está vestida ou é puta e está sem roupa.
Vez ou outra, Autumn interfere nos ensaios fotográficos, colocando-se ao lado das modelos. É uma brincadeira para deixar o clima mais descontraído. Acho que às vezes ajuda a contar a história do jeito que eu quero. Sobre seus autorretratos, ela não se empolga. Faço por vaidade, pelo ego. Não levo a sério. Se Autumn se acha bonita? Acho que sou OK, mas não faço o meu tipo, brinca.
Casada há três anos e meio com um fotógrafo alemão, ela vive entre São Paulo, Berlim e Nova York. Seu próximo projeto é um livro sobre a indústria dos filmes pornôs brasileiros. Está ganhando dinheiro? Eu vivo bem. Moro num apartamento legal, tenho uma bike bacana e tal. Mas quero mais. Quero ganhar muito dinheiro, o suficiente para comprar um iate. E quem não quer?


