Uma história de sucesso, força de vontade e ousadia é tecida diariamente numa casa simples do bairro Vista Alegre, em Curitiba. Protagonizam a aventura três pessoas: o avô Raimundo, a mãe Lisete e a filha Adriana Gumz, de 24 anos. Imobilizada numa cadeira, devido à paralisia cerebral ocasionada por falha médica, ao nascer, Adriana quase não sai de casa. Porém, os livros que ela escreve, ganham mundo.
Até agora foram vendidos cerca de 4 mil exemplares de ‘‘Bambino e Sua Turma’’, ‘‘O Elefante que Caiu do Céu’’ e ‘‘O Reencontro de uma Família’’. A renda obtida possibilita novas edições. As crianças que lêem suas histórias muitas vezes de manifestam à sua maneira. ‘‘Você não anda com suas pernas, anda com suas palavras’’, disse uma menina de oito anos.
Arquivo FolhaA escritora já vendeu cerca de quatro mil exemplares de seus livrosAdriana Gumz, 24 anos, comove-se com as manifestações. Mas estes tempos caseiros que marcam a difusão de sua literatura - ela se expande no corpo-a-corpo, não tem um esquema de vendas através de livrarias -, podem estar com os dias contados.
A Editora Educarte prepara-se para lançar no mercado um kit que juntará um CD-Rom com a história animada de ‘‘O Reencontro de uma Família’’, jogos e o livro. E de uma vez só o mercado receberá dez títulos da série Imaginação. Sem contar os três primeiros, virão ainda ‘‘A Árvore do Dinheiro’’, ‘‘A Girafa que Fugiu do Zoológico’’, ‘‘O Cachorro Maluco’’, ‘‘Os Bonecos de Gengibre’’, ‘‘O Rei e sua Cidade’’, ‘‘A Lição das Férias’’ e ‘‘O Tombo de Marcos’’.
A expressão literária começou a se manifestar quando Adriana tinha 12 anos. Porém, sua primeira história mofou durante oito anos na gaveta até ser publicada em 1997, graças ao apoio de amigos e empresários sensíveis ao seu talento. O lançamento ocorreu durante a 1ª Feira Interamericana do Livro.
Professor PardalQuem possibilitou a jovem a colocar no papel aquilo que imagina foi o avô Raimundo Gumz. Apontado pela filha como o ‘‘Professor Pardal’’, ele guarda em casa as engenhocas que inventou - e continua inventando - para amenizar o suposto silêncio da neta.
Ex-fabricante de lentes óticas, passa o tempo buscando soluções para os desafios das suas inventividades: construiu um teclado onde Adriana escreve, um elevador dentro de casa, um carrinho devidamente adaptado para a garota passear e até um painel acessado ao controle remoto, que permite à usuária mudar os canais de TV.
‘‘Ela é independente e realizada’’, afirma Lizete. Teatro e circo estão entre suas distrações preferidas. Na televisão, gosta de ver a programação da TV Educativa. Cuidadosa com aquilo que escreve, Adriana cerca-se muitas vezes de cuidados para compor seus textos. Foi assim quando se propôs a trabalhar sobre a higiene bucal.
Contava as peripécias de um menino que fingia escovar os dentes, toda vez que sua mãe mandava. Assim como o nariz de Pinóquio crescia a cada mentira, no caso do menino a boca é que vai espichando, dando-lhe a aparência de tamanduá. Para não colocar informações incorretas, pediu à mãe que buscasse assessoria de um dentista.
Locais de vendasAos poucos a família Gumz vai conseguindo adesões para vendas dos livros que custam apenas R$ 3,00. Podem ser encontrados no Parque da Mônica (Estação Plaza), na loja Alternativa (Galeria Júlio Moreira, loja 4, atrás da Catedral) e na Casa Tigre, no bairro Capão da Imbuia.
Contatos também podem ser feitos através do telefone (041) 335-6788. Um folheto anexado aos exemplares traz um pedido aos leitores: ‘‘Faça por ela (Adriana) o que você puder. Adquira os seus livros já publicados ou procure difundi-los. Com isso, você estará não apenas fazendo Adrianinha feliz, mas possibilitando que novas historietas sejam editadas’’.

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