A mulher nua
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de novembro de 2007
Agnaldo Kupper 
Por estes dias lembrei-me da mulher sinalizadora do Maracanã. Comum, fez sucesso. Tirou a roupa para uma revista masculina. Mas por que esta lembrança? Não que me traga qualquer ''fogo''. Aí me vêm à lembrança as Ronaldinhas. Orgulhavam-se (orgulham-se?) de ambas, terem tido momentos íntimos com o ''Fenômeno''. Impressionante, não? Fizeram questão de mostrar o que mostraram ao craque.
Uma mulher colocar-se no campo de um esporte preferencialmente masculino...Coragem? Ana Paula aproveitou do sucesso e topou mostrar sua bandeirinha de luta. Hortência, excepcional. Mas no rebote...
Em um momento em que se pediu para o Senado mostrar sua cara, a pivô do escândalo Renan resolveu mostrar tudo! Jornalismo? Se, a própria notícia, crua e nua.
Por que será que nos ''Big Brothers'' da vida vence homens ou mulher feia? Talvez porque as bonitas irão tirar a roupa mesmo! Triste mundo tupiniquim...
Quando em evidência, algumas mulheres fazem questão de aliar sexo ao sucesso. Tem Marta (que não é nenhum ''avião'') por aí que pede para ''relaxar e gozar''. Bruna Surfistinha virou best-seller: mostrou o que fez.
Fico pensando na Erundina, na Benedita da Silva, até em Dona Ruth. Esta última, se bonita, não teria grandes problemas para posar nua; afinal seu marido é neoliberal! Mas pobreza não se mostra. Só se pode mostrar o que quer ser visto. Soninha confessou ter experimentando maconha. Mostrou-se. Perdeu o emprego. O nu, Soninha, tem que ser artístico e hipócrita, nunca sarcástico e verdadeiro.
Enquanto mulheres se expõem para que reconheçamos a força feminina, outras se expõem para o ganho, aproveitando-se da evidência. Aquelas com sumo; estas, consumo.
AGNALDO KUPPER é professor em Londrina e autor do livro ''Colônia Cecília, Uma Experiência Anarquista'' e co-autor de ''A História Crítica do Brasil'', ''O Navegante Negro e a Chibata'' e ''Malês: Sangue em Salvador''


