O grupo polonês Teatr Cogitatur aposta na atmosfera quente gerada pelo apelo emocional do espetáculo ‘‘Femina’’ para conquistar o público do Filo, nas apresentações de hoje e amanhã na Mostra Internacional. Sete atores vão entrar em cena para mostrar ‘‘Femina’’, uma mulher num mundo de símbolos.
A intenção do grupo é mostrar em Londrina a trajetória de vida do ser humano, que começa com o nascimento, passeia por experiências até chegar à morte. O diretor Marcin Herich observa que ‘‘Femina’’ simboliza a história emocional do ser humano, contada em fragmentos. De forma simples, aborda principalmente a mulher comum e, através de metáforas, mostra momentos especiais da vida, como a solidão, a dor, a alegria, o medo.
O diretor utiliza o nu em algumas cenas que remetem a emoções fortes. ‘‘Há momentos eróticos que não são agressivos, mas estéticos’’, pontua Herich. ‘‘Não usamos o nu para chocar. Queremos mostrar boas emoções e não destruí-las’’. O grupo antecipa cenas marcantes, como a dos dois enforcados que representam a morte; da água que se mistura com sangue para simbolizar a vida; da mulher que cruza o palco sem tocá-lo com os pés e da heroína que dança alegremente ao som do gramofone.
‘‘Femina’’ tem apenas dois minutos de texto, fragmentos do poema ‘‘Ash-Wednesday’’, de T.S. Eliot, que serão interpretados em inglês. ‘‘Apesar desse texto, tentamos transmitir muito mais que palavras. Pedimos que o público se abra para isso. Estamos curiosos porque sabemos que os brasileiros não escondem suas reações’’, salienta Katarzyna Pryc, outra atriz do grupo, que se apresenta pela primeira vez na América do Sul.
O Teatr Cogitatur também se inspirou em obras de arte de impressionistas austríacos e alemães para criar as cenas, que são embaladas por trechos de músicas de Vivaldi, Garbarek, Goldenthal, Kreisler e Future Sound of London. O espetáculo tem alguns elementos de dança e fortes movimentos físicos.
A atriz Katarzyna Mrozinska-Izdebska, protagonista da história, comenta que o público pode observar o visual e entender a proposta, mas é necessário parar para pensar e sentir a essência do trabalho.
O espetáculo deve ser apresentado ao ar livre. Pelo menos é um pré-requisito do grupo, que utiliza em cena vários elementos que requerem espaço apropriado, como água, fogo e fumaça. Além disso, há pernas de pau, cinco torres de cinco metros de altura e grandes cabeções manipulados pelos atores.
Herich alerta que, mesmo sendo um espetáculo de rua, não é aconselhável ao público esperar uma montagem divertida. ‘‘Não é um teatro para fazer rir, mas para mostrar sentimentos e tocar as pessoas’’.
‘‘Femina’’, com o Teatr Cogitatur, da Polônia. Direção e cenário: Marcin Herich. Duração: 45 minutos.
O local e horário de apresentação ainda não estavam definidos pela organização do festival até o fechamento desta edição (o público pode obter hoje as informações pelo telefone (43) 324-8694).

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