A morte segundo Allen
Jackeline Seglin
A vontade de subir ao palco e exercitar o aprendizado de um curso básico levou três ex-alunos da Escola Municipal de Teatro (EMT) a encarar um novo desafio: montar seu primeiro espetáculo. Dessa forma nasceu o grupo Antropofolia Trupe Artística que faz sua estréia neste fim de semana com a montagem de A Morte Bate à Porta, peça em um ato do norte-americano Woody Allen. As apresentações acontecem hoje e amanhã, às 20 horas, na EMT.
O Antropofolia é um projeto da EMT e da Fundação Cultura Artística (Funcart) que visa a dar continuidade ao trabalho de formação de ex-alunos. Mas é um projeto de estudos e não de um grupo, avisa o diretor Maurício Arruda Mendonça.
Os integrantes da trupe são os atores Rafael Arruda, Sergio Mello e Rogério Ferraz, que integraram o elenco do espetáculo de formatura Cabaret Munchausen nos respectivos papéis: Putor, velho Barão e jovem Barão.
Essa formação, segundo o diretor, aconteceu por afinidade. Eles sempre foram entrosados, curiosos e envolvidos com a escola. Depois de trabalhar textos variados, chegaram a Woody Allen e apresentaram a idéia.
O trabalho começou há dois meses. Nesse tempo, os três colocaram a mão na massa para moldar o espetáculo. Fizeram de tudo um pouco: desde a criação dos personagens até a montagem do cenário.
Maurício Arruda Mendonça explica que o texto de A Morte Bate à Porta conta a história de um comerciante judeu (Nat Ackerman) que é visitado pela morte no meio da noite. É bem a discussão metafísica do sentido da vida que Woody Allen gosta, comenta o diretor.
Sergio Mello conta que o mais complicado em fazer Nat Ackerman é a idade do personagem, 57 anos. Esta é a minha barreira. Sinto mais dificuldade em fazer o Nat do que o velho Barão. Nesse outro papel, usávamos uma série de recursos que ajudavam a mascarar o personagem. Agora não, é cara a cara com o público, assume.
Mais à vontade com seu personagem, Rafael Arruda diz que a morte é um carinha atrapalhado e com o qual nada dá certo. A morte é uma azarada, diverte-se. Rogério Ferraz, que está fora do palco nesta montagem,
é o responsável pela concepção de luz do espetáculo.
Sergio Mello atuou no grupo Meta e na Cia. Independente de Teatro. Já Rafael Arruda participou apenas de projetos da própria escola. Rogério Ferraz atualmente dá aulas na EMT.
A montagem tem 25 minutos de duração e é bastante ágil. É um ritmo que os atores ainda estão conquistando e que tende a ser muito mais rápido. Por ser uma peça curta e com humor, tem que ter a medida certa, alerta Mendonça. O texto não é novidade para a trupe, que já o conhecia pelas citações em Cabaret Munchausen.
Os atores confessam que ao escolher a peça, a intenção era fazer algo menos pretensioso, que funcionasse como uma experiência. Queremos dar uma aquecida, diz Rafael. A idéia do novo grupo é dar continuidade ao trabalho, mas até agora os integrantes não têm planos definidos e nem imaginam seu futuro.
A Morte Bate à Porta, de Woody Allen. Hoje e amanhã, às 20 horas, na Escola Municipal de Teatro (Rua Acre, 315). Direção: Maurício Arruda Mendonça. Elenco: Sergio Mello e Rafael Arruda. Iluminação: Rogério Ferraz. Ingressos a R$ 2,00. Realização: EMT e Funcart.





