O astro do cinema japonês Toshiro Mifune, ator favorito do consagrado diretor Akira Kurosawa, morreu no último dia 23, em Tóquio, aos 77 anos.
Nascido em 1ºde abril de 1920 em Tchingao (China), filho de pais japoneses, Mifune voltou da Segunda Guerra Mundial com o secreto desejo de ser ajudante de diretor fotográfico, mas o destino o confrontou com outro caminho. Um prêmio dos estúdios Toho permitiu que ele estreasse como ator em 1946 sem ter qualquer preparação ou experiência.
Dois anos depois, Mifune cruzou pela primeira vez com o mestre Kurosawa. O fruto do encontro se intitulou ‘‘O Anjo Embriagado’’.
Este homem de físico rude, olhar intenso, porte austero e elegância senhorial ofereceu a Kurosawa uma série de possibilidades que os atores japoneses de formação clássica não podiam dar.
Mifune foi o rosto, a persona ideal para filmes como ‘‘Rashomon’’ (1950) e sobretudo ‘‘Os Sete Samurais’’ (1954) e mais tarde, a medida em que foi acumulando experiência e dominando a sobriedade interpretativa que o caracterizava, demonstrou que lhe sobrava talento.
O reconhecimento internacional, pelas mãos de Kurosawa, foi ganho com ‘‘O Mercenário’’, em 1960, com o personagem do executivo atormentado de ‘‘O inferno do Ódio’’ (1963), e em ‘‘O Barba Ruiva’’, em 1965.
Clint Eastwood se inspirou em Mifune quando trabalhou com Sergio Leone em ‘‘Por um punhado de dólares’’, versão de ‘‘O Mercenário’’ em forma de western spaguetti ítalo-americano realizado em 1964.
Além dos 16 filmes que unem o seu nome ao de Kurosawa, Mifune trabalhou com diretores norte-americanos como John Frankenheimer (‘‘Grand Prix’’, 1966), Steven Spielberg, em 1979 (‘‘1941’’), sem evitar os papéis convencionais de japonês mau em filmes de guerra, aumentando sua popularidade com a série para TV ‘‘Shogun’’.
Desde 1963, Toshiro Mifune vinha produzindo filmes para cinema e televisão, chegando a dirigir um, em 1964: ‘‘O Legado dos 500 mil’’. Em 1992 se aposentou depois de um ataque cardíaco.

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