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Londrina

LEITURINHA

m de leitura Atualizado em 28/06/2022, 00:13

A morte de bom humor e as artimanhas dos vivos

Livro do gaúcho Ernani Ssó traz lendas e folclores sobre a morte e vai além

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de junho de 2022

Marcos Losnak/ Especial para a Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Marilda Castanha/ Reprodução
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A sabedoria popular diz que neste mundo tudo tem solução. Menos a morte. Também afirma que na vida existe apenas uma certeza. Justamente a morte.

Na tradição da oralidade popular existe uma coleção de lendas, contos e narrativas onde a morte aparece para levar os vivos para outro mundo.

Ela sempre surge na figura de um esqueleto de túnica preta. Uma caveira de capuz negro empunhando uma gadanha, aquela antiga foice de ceifar cereais.

Em “Contos de Morte Morrida”, o escritor gaúcho Ernani Ssó apresenta uma coleção de histórias da tradição popular onde os vivos tentam enganar a morte.

Personagens que procuram criar todo tipo de artimanha para ludibriar a morte e permanecer um pouco mais neste mundo. Figuras que possuem o tempo natural de existência, mas sempre desejam existir mais e mais.

Personagens que se recusam bater as botas, ou comer capim pela raiz. Figuras que procuram ludibriar a morte através da esperteza. E, mesmo enganada, a senhora morte consegue manipular sua gadanha e levar todos os vivente para o outro mundo.

Em “Conto de Morte Morrida”, o autor não se limita em recontar histórias do folclore. Também cria algumas baseadas em tradições populares.

Para isso, utiliza o bom humor nas artimanhas dos vivos contra a morte. Como igualmente utiliza o bom humor na sagacidade da morte em contornar as artimanhas dos vivos.

Na maioria dos contos existe uma ambição em viver mais e mais. E nesse processo a própria existência sem fim perde o sentido.

No conto “A Morte e o Ferreiro”, por exemplo, o personagem consegue enganar a morte ao longo do tempo. Sempre alegando que precisa de um aviso prévio quando seu fim estiver próximo.

Quando a morte finalmente aparece com sua afiada gadanha, o ferreiro contrariado exige o aviso prévio. E ela, toda senhora, diz que já ofereceu todos os avisos.

Os avisos estavam nos cabelos brancos do ferreiro. Estavam também em suas pernas fracas, nas rugas de seu rosto, em suas costas curvadas e doloridas, em seus ossos frágeis, em seus olhos e ouvidos abalados.

Quando a sabedoria popular diz que neste mundo tudo tem solução, menos a morte, está dizendo que na vida existe apenas uma certeza.

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. |  Foto: Ilustração: Marilda Castanha/ Reprodução
 

Serviço:

“Contos de Morte Morrida”

Autor – Ernani Ssó

Ilustrações – Marilda Castanha

Editora – Companhia das Letrinhas

Páginas – 48

Quanto – R$ 49,90