A moral colocada em prova
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sexta-feira, 30 de abril de 1999
Elisa Marilia Carneiro 
Bonitinha, mas Ordinária é uma discussão sobre a moral e o caráter. O fio condutor da montagem é a frase o mineiro só é solidário no câncer, que Nelson Rodrigues atribui, equivocadamente, a Otto Lara Resende. A apresentação acontece hoje, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde, no penúltimo dia da Mostra Nacional Regional do Filo.
A obra teatral, escrita por Nelson Rodrigues, desafia o talento até mesmo de artistas mais experientes e representa o batismo de fogo para os 18 atores, formados pelo Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP e por alunos convidados da Escola de Arte Dramática (EAD). A montagem é um exercício completo para o ator ao oferecer a possibilidade de interpretação de vários personagens, afirma a diretora Beth Lopes.
Para essa encenação especificamente, Beth utiliza 50 cadeiras iguais que transformam-se em objetos e formas para reforçar a atmosfera da peça. Centenas de lâmpadas comuns abrigadas por uma enorme rede de futebol são suportes para os atores transformarem o palco em rua, parque, cemitério, portaria de edifício e casa.
A plasticidade das construções arquitetônicas revela o cenário delirante dos sentimentos e situações da trama. A peça se baseia na luta existencial do protagonista que vive o conflito de se casar por amor ou por dinheiro, reforça o diretor de cena, Elton Wagner.
Para a diretora, a ética, a moral e os preconceitos são as questões centrais da peça que traça uma sociedade em agonia, cujos princípios se diluem diante de propostas tentadoras como a que recebe o suburbano Edgard. O final, inusitado e explosivo, garante a redenção dos personagens.
O figurino do espetáculo, criado pelos alunos do curso de Moda da Faculdade Santa Marcelina, é atemporal. A sensualidade das roupas acompanha a cor da pele e elementos sobrepostos. A trilha sonora é assinada por Marcelo Pelegrini e o cenário, de André Moia, é o resultado de um trabalho de conclusão de curso.


