A modernidade caótica de Seul
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de maio de 2002
Luiz Antônio Prósperi<BR>Agência Estado 
A Copa do Mundo de Futebol começa dia 31 de maio em Seul, a capital coreana de 10 milhões de habitantes. É a primeira oportunidade para você descobrir alguns dos segredos da Coréia do Sul. A metrópole é quase um caos. Assim como as grandes metrópoles do mundo, tem trânsito intenso e milhares de pessoas caminhando apressadas pelas ruas. Entrar em um shopping no sábado à tarde só no corpo a corpo. Lojas apinhadas de produtos na superfície e nos subterrâneos do lado das estações do metrô. Nas ruas, vendedores ambulantes oferecem peixes secos e frutos do mar. Um cheiro forte, impregnante.
Seul é dividida pelo extenso Rio Hangang. De um lado, os verticais conjuntos habitacionais. Do outro, o centro comercial e financeiro. Os edifícios residenciais têm o mesmo padrão, um parece cópia do outro. Os que abrigam os escritórios das grandes empresas têm amplas fachadas de vidro.
Ao norte do rio, está a parte tradicional da capital. São templos budistas e confucionistas as duas religiões mais fortes do país , famosos mercados populares e antigos distritos da época em que a Coréia ainda era um reinado. No sentido sul do Hangang está situado o famoso bairro de Gangnam, dos jovens endinheirados com os negócios da Internet idêntico ao Vale do Silício dos norte-americanos na Califórnia.
Antes de se entusiasmar com a capital coreana, não se esqueça da longa viagem entre São Paulo e Seul e do fuso horário 12 horas a mais em relação a Brasília. No desembarque, a primeira visão é de um país exótico e diferente. Os vôos internacionais pousam no Aeroporto de Incheon, que entrou em operação em março de 2001. É considerado o maior da Ásia e tem capacidade para servir 100 milhões de passageiros por ano um templo da modernidade que sugere uma nave espacial.
De Incheon ao centro de Seul, são quase duas horas de ônibus se o trânsito estiver leve. Na capital, inicie o seu roteiro turístico pelo distrito de Itaewon, no coração da cidade, um reduto de 2 mil lojas, vários restaurantes e dezenas de bares de jazz. É um bairro dedicado ao turismo e os preços não são nada abusivos. A noite é muito agitada.
Quem prefere entrar na história, não pode deixar de visitar o mundo do rei, um extenso parque com os Palácios de Gyeingkgung, Changgyeonggung e o Changdeokgung, todos da dinastia Joseon, do ano 515 a 1395. O complexo está muito próximo do centro. E é impressionante. Basta você entrar no palácio para a poluição sonora da metrópole desligar. A visita não custa mais de US$ 5.
Outro passeio indispensável é subir na Seul Tower, uma torre de mais 300 metros de altura. Restaurantes, lojas de souvenirs e um mirante de onde se pode contemplar toda Seul. Custa US$ 4 a entrada.
Se você escolher o bondinho para subir e descer o morro da torre deve desembolsar mais US$ 8. Visite a torre à noite, pois o visual é bem mais interessante.
Quem prefere o futebol, uma visita ao novo Seul World Cup Stadium é indispensável. O estádio foi construído especialmente para receber a Copa do Mundo 2002. Tem capacidade para 60 mil pessoas e faz parte do Parque do Milênio, uma área de 6,6 milhões de metros quadrados. O complexo abriga cinco parques, um deles à margem do rio, um museu da ciência e o Estádio de Seul.
O Departamento de Turismo de Seul garante que não faltarão apartamentos para hospedar os visitantes durante o Mundial. E os preços vão variar de US$ 40 a US$ 500 a diária. Transporte também não será problema. A malha do metrô garante os passeios. São oito linhas cobrindo todo o território de Seul. Nas ruas, os homens costumam usar ternos pretos e as mulheres também são bastante discretas. Parece que todo mundo é irmão, tamanha semelhança na fisionomia, no corte dos cabelos e no modo de se vestir. Difícil mesmo é entender o que eles falam. O idioma é complicado e, fora dos hotéis, quase ninguém fala inglês.


