A moderna, caótica e tradicional Tóquio
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terça-feira, 23 de maio de 2006
Márcio Oyama<br> Agência Estado 
Tóquio - Entre rústicas casinhas de madeira, com tatames no lugar do piso, templos milenares e senhoras trajando quimonos de seda pintados à mão, arranha-céus ultramodernos, shoppings sofisticadíssimos e meninas de cabelo azul. Assim é Tóquio, a capital do Japão o terceiro adversário do Brasil na Copa do Mundo.
Não é difícil um turista desavisado se sentir tão perdido na megalópole nipônica quanto um jogador japonês encarando os dribles e a ginga de Ronaldinho Gaúcho. Em uma cidade onde tradição e modernidade convivem tão pacificamente, entender seus códigos, costumes e rituais torna-se tarefa árdua. Tão árdua quanto desvendar a fechada malha ferroviária e metroviária que serve grande parte dos 12 milhões de cidadãos de Tóquio diariamente. Milhares de quilômetros de trilhos recortam a capital japonesa em toda a sua extensão, fazendo de trem e metrô os principais meios de transporte da cidade.
É no país da tecnologia e do consumismo, onde se descartam nos lixões celulares, aparelhos de som, computadores e até carros usados (a maioria com menos de três anos de uso), que não se admite deixar sobrando no prato um só grão de arroz. A gafe é gravíssima em qualquer restaurante ou casa de família.
Nos motéis japoneses, adolescentes entram tranquilamente, sem a necessidade de apresentar a identidade. Em alguns, não há nem recepção: o cliente compra um bilhete em uma máquina e sobe para o quarto. Nos vagões de trem e metrô, senhores engravatados lêem mangás eróticos sem culpa ou vergonha. Permissividade? Avanço? Não. Nesta mesma sociedade, um simples beijo em público é visto como obscenidade da grossa. Contato físico, aliás, é coisa reservada aos muito íntimos no Japão e, portanto, às quatro paredes. Por isso, cumprimento de mão, nem pensar.
Tantas contradições se repetem nas atrações turísticas de Tóquio e ainda que confundam seus visitantes, tornam o passeio inesquecível. Dos templos budistas de Asakusa aos megaedifícios de Shinjuku, as opções são ricas e variadas, incluindo também parques de cerejeiras, museus de arte japonesa tradicional, shoppings de eletrônicos e teatros de kabuki (milenar espetáculo popular).
Para começar, o turista deve pegar a Yamanote Line, linha circular de trens que passa pelos principais bairros da capital.
Em Shinjuku, o principal centro de entretenimento, negócios e compras de Tóquio, prepare-se para a multidão: a estação é a mais movimentada da cidade, recebendo cerca de dois milhões de passageiros por dia. Lá, estão as torres gêmeas japonesas, sede do Tokyo Metropolitan Government, a prefeitura.
Ainda na rota dos ''prediões'', visite os depaatos (versão japonesa para lojas de departamentos) de Shinjuku, como o Takashimaya, o Isetan (o mais antigo) e o Odakyu.
Se a intenção é cair na farra, reserve a noite para o Kabukicho que, apesar do nome, nunca teve um teatro de kabuki. É na região, conhecida como a red light district japonesa, que ficam os grandes sex shops, os motéis temáticos e as casas de shows eróticos mais famosas de Tóquio. Para o público GLS, bares e boates podem ser encontrados perto dali, na região do Nichome.
Na linha dos grandes edifícios, shoppings e restaurantes, estão Ginza (na Yamanote, acesso pela estação Yurakucho) e Shibuya, duas áreas bem famosas. Na primeira, o destaque é a sofisticação de seus estabelecimentos e o preço do metro quadrado: mais de US$ 100 mil.
Em Shibuya, a notoriedade fica por conta da badalação. O pátio na frente da estação é o principal ponto de encontro de jovens. Nele, fica o Hachiko, um famoso monumento da capital nipônica: uma estátua de um cachorro que, segundo a lenda, esperava o seu dono chegar do trabalho todos os dias no mesmo local. Um dia, o homem morreu e não apareceu mais. O cachorro, então, o esperou por anos a fio, até morrer.
Seguindo pela Yamanote Line, pare em Harajuku, bairro que mostra como nenhum outro as contradições de Tóquio. Nas imediações da estação, se reúnem as mais excêntricas adolescentes da cidade, com seus cabelos coloridos e suas plataformas gigantescas.
A poucos metros da ultrafashion balbúrdia teen, fica um contraponto inacreditável: Omotesando, considerada a Champs Elysées nipônica. Com elegantes cafés, restaurantes e vitrines, a avenida abriga a Louis Vuitton japonesa, a mais lucrativa loja da grife fora da França.
Entre a rebeldia e a sofisticação, o bairro ainda tem lugar para a tradição. No Santuário Meiji, um grande parque foi construído em homenagem ao espírito do imperador Meiji e de sua mulher, a imperatriz Shoken. Já o Santuário Togo homenageia o almirante Togo, que derrotou os russos na Guerra Russo-Japonesa, em 1905.
Fora da Yamanote Line também há muito o que se ver. Em Asakusa, ficam vários templos budistas, como os notórios Sensoji e Kaminarimon, além dos teatros de kabuki. Em Akihabara, o forte são os eletroeletrônicos. Para quem quer conhecer a grande paixão japonesa o beisebol , a dica é visitar o Tokyo Dome. Fechando o passeio, não deixe de conhecer o Palácio Imperial, onde vivem o imperador japonês e sua família. O local também foi moradia do último xogum do país, Tokugawa Ieasu.


