A moda na sétima arte
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
A estreita ligação entre a moda e a sétima arte será tema da edição de hoje do projeto "Café com o quê?", promovido pelo Sesc Cadeião Cultural. Convidada do encontro que tem início às 19h30, a figurinista, produtora de moda e jornalista Mayhara Nogueira conversará com o público sobre "A Era de Ouro - A história do figurino no cinema americano, da ascensão ao declínio". Especializada em Moda: Produto e Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina, a londrinense conta com sete curtas e dois longas-metragens na bagagem .
Entre os filmes que contam com a assinatura de Mayhara na produção de figurino estão os longas "Leste Oeste" (do diretor Rodrigo Grota) e "Somente Meu" (Jonathan Murphy), ambos rodados em Londrina. "É um trabalho bastante complexo, que tem início com a leitura do roteiro inteiro do filme. Na sequência, o figurinista conversa com o diretor da produção para investigar o universo de cada personagem criado por ele e levantar características que o inspiraram. Depois é hora de falar com o diretor de arte e analisar os elementos de cada cena e verificar a planilha de cores que serão utilizadas em cada ambiente. Após a fase de pesquisa e já com a lista do elenco em mãos, o figurinista anota as medidas dos atores para poder dar início à produção das roupas, acessórios, cabelo, maquiagem e até sinais físicos que serão usados em cena e ajudarão a transformar o personagem em um ser único", explica.
Na palestra de hoje, a figurinista falará sobre uma época em que as roupas usadas pelas grandes estrelas do cinema eram o grande chamariz do filme. "Abordo um período que vai do início do século XX até os anos 1970. Charles Chaplin foi a primeira pessoa a dar destaque ao figurino quando criou o inesquecível personagem principal do filme "O Vagabundo" (The Tramp), lançado em 1915. As roupas puídas, o chapéu coco e a bengala que compõem o figurino do personagem se tornaram clássicas. A partir daí as produções começaram a despertar para a importância que o figurino tem na concepção de cada o personagem", destaca.
Durante a palestra que será ilustrada com vídeos de alguns filmes, Mayara falará sobre o trabalho dos primeiros figurinistas contratados por grandes estúdios de Hollywood. "Edith Head é um dos nomes mais importantes desse período. Contratada do estúdio Paramount, ela criou figurinos para cerca de 500 filmes, sendo responsável por figurinos usados pelas mais famosas atrizes da época, como Bette Davis, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn e Grace Kelly, entre outras. Ao longo da carreira iniciada na década de 1930, ganhou oito Oscars de melhor figurino com filmes como A Malvada (1951), A Princesa e o Plebeu (1954) e Sabrina (1955)", salienta.
O declínio do setor, segundo a londrinense, teve início na década de 1970. "Muitos estúdios começaram a quebrar, pouco dinheiro começou a ser investido. Fabricar figurinos glamourosos e que demandavam muito dinheiro já não era a prioridade dos estúdios. Os figurinistas clássicos começaram a ser trocados por jovens figurinistas, que já não fabricavam as roupas, mas compravam em lojas e brechós e os departamentos de figurino foram extintos", salienta.
Mayhara enfatiza que o bate-papo de hoje é destinado a qualquer pessoa que se interesse por cinema e moda. "Não é preciso ter nenhum tipo de conhecimento prévio sobre esses assuntos. Será uma noite agradável em que serão abordados episódios e dados que constam nas poucas referências bibliografias sobre o tema", ressalta.
Serviço:
"A Era de Ouro - A história do figurino no cinema americano, da ascensão ao declínio", com Mayhara Nogueira
Quando Hoje, às 19h30
Onde Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52)
Quanto - Gratuito


