A moda invade o picadeiro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe de Curitiba 
Curitiba Uma boa referência e um forte apelo emocional fizeram o desfile de Silmar Alves na segunda noite do Curitiba Fashion Art, no Cietep, levantar a platéia. A homenagem à famosa família Queirolo que, no século passado trouxe da Itália toda magia que os palhaços ofereciam dentro dos circos brasileiros, rendeu ao estilista um louvor incondicional de seus convidados.
Sem ser um novato na carreira, Alves, que é professor de modelagem nos cursos do Senai, mostrou mais maturidade em relação a seus desfiles anteriores. Soube trabalhar bem a carona que pegou nos incontáveis recursos que a fantasia circense dá aos criadores.
No primeiro momento, a presença de palhaços de verdade, misturados aos modelos, protagonizou uma inesperada performance. Atitude inteligente. Agradou até os mais críticos. Daí por diante a passarela virou uma festa com as passagens dos 60 looks.
Com base em peças criadas nos anos 60, o estilista reeditou os padrões vicky, pied de poule e risca de giz. Em alguns momentos introduziu o ponto de cruz. Em outros, as pinturas nas calças, camisetas e saias deram um certo ar infantil, fruto do imaginário de Alves. Ele é um apaixonado pelo circo desde sua infância.
Usando a nostalgia com cores fortes como o vermelho, Silmar apresentou uma moda conceitual, sem muita preocupação com os acabamentos. Quando buscou nos tecidos um parceiro para compor, se deu bem. O marfim dos conjuntos em veludo cotelê, apareceu nas calças com casacos 7/8, apontando nos trajes masculinos uma especialidade a ser trabalhada comercialmente por Alves. Foi um momento positivo da apresentação.
Outro bom instante foram as saias na altura dos joelhos. O resgate dos comprimentos usados na década de 60 fez jus ao que Alves sempre usa em sua vida cotidiana. Os cortes feitos para essas peças justificam o fato de ele ter sido um dos escolhidos para o evento.


