A moda dos jovens de Harajuku
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de fevereiro de 2009
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Harajuku é um lugar especial. Bairro popular de Tóquio, no Japão, a área do município de Shibuya construiu uma reputação libertária: ali os jovens aproveitam para extravazar tudo o que não podem expressar no dia-a-dia, por meio de roupas e atitudes. Esse comportamento, comum em apresentações de grupos de rock nos anos 80, popularizou-se e hoje dá para encontrar adeptos da ''moda de Harajuku'' em todo lugar, inclusive no Brasil.
''Comecei a ver animês (desenhos animados japoneses) na tevê e passei a gostar e frequentar os matsuris (festivais japoneses) e lá eu conheci a moda 'lolita fashion', como as 'gothic lolitas' e as 'punk lolitas''', explica Ingrid Mariana Rodrigues de Lima, 17 anos, ao lembrar como entrou em contato com a ''moda de Harajuku''.
Assim como Ingrid, Manuela Tarrega, 19 anos, também se interessou inicialmente pela ''moda de Harajuku'' por causa do visual e dos significados das roupas. ''Todos querem expressar um estilo característico, diferente, e cada adereço tem um significado especial. O branco seria a pureza, o vermelho já tem a ver mais com as bonecas da idade média, as pretas seriam as lolitas dark, as góticas''.
Presente nos grandes centros urbanos, a ''moda de Harajuku'' passou a ser algo como um grito de liberdade, uma vontade de se fazer ouvir e, principalmente, dos jovens se sentirem à vontade para expressar seus sentimentos. É o que concluiu a Elizete Kayo Kazuma, 27 anos, formada em Estilismo e Moda pela Universidade Estadual de Londrina, que ganhou bolsa de estudos e foi pesquisar no Japão esse comportamento.
''É uma coisa psicológica. Eles buscam naquele lugar a identidade. A maioria tem de 16 a 21, na fase de descobrir o que quer da vida, que estilo quer adotar'', explica Elizete, que passou dois anos analisando os jovens de Harajuku nas proximidades da ponte de Meiji-jingu.
''Muitos vão só para aparecer, é o único local do país onde podem se vestir daquela forma. Percebi que eles sabem o tipo de pessoa que querem ser, só que devido aos problemas de relacionamento com o família, no trabalho ou na escola, não conseguem se expressar. E ali eles conseguem fazer isso. '', comenta Elizete. ''As pessoas adotam a roupa para frequentar o local. Estão em busca do ''eu'' e ali eles conseguem se sentir à vontade, não precisam fingir para agradar aos outros. A roupa é um complemento.''
Diferente do cosplay, que busca copiar exatamente as roupas e trejeitos de personagens de videogames, quadrinhos e seriados, os seguidores de Harajuku gostam é de dar um toque pessoal nos estilos adotados. ''Uso vestidos ou saias com cintura meio alta, com rendas e babados, laços. É um resgate à epoca vitoriana, direcionada para o rococó'', explica Ingrid.
Em Harajuku, as reuniões acontecem aos domingos, durante todo o dia, com 200 a 300 pessoas em média. Em São Paulo, esses encontros costumam acontecer em frente à estação de metrô do bairro da Liberdade e em Curitiba é comum ver adeptos nos matsuris. ''A gente costuma também se reunir nos piqueniques e no Chá da Tarde das Lolitas. O próximo será no Museu Oscar Niemeyer. Qualquer um pode ir para conhecer, não precisa estar vestido de maneira diferente'', convida Manuela.
Estilos
■ Visual-Kei: baseado nas roupas utilizadas por integrantes de bandas de rock
■ Lolita Fashion: peças inspiradas em bonecas, visual de princesas e da era vitoriana
■ Decora Fashion: uso de acessórios totalmente coloridos
■ Para saber mais sobre o assunto e encontros dos seguidores da moda de Harajuku, basta acessar as comunidades no Orkut sobre o assunto, procurando por palavra-chave ou acessar os sites:
■ www.tadaimacuritiba.com.br
■ www.minimatsuri.blogspot.com
■ www.nikkeicuritiba.com.br
■ www.tomodachi.com.br


