Arquivo FolhaO que Jorge Amado dá de comer e beber aos seus personagens?Já está chegando às livrarias o livro de Paloma Amado, filha de Jorge Amado e Zélia Gattai. O nome é ‘‘As Frutas de Jorge Amado ou O Livro das Delícias de Fadul Abdalla’’.
A idéia geral do livro é simples. São 61 capítulos, 14 com receitas gerais de bebidas, refrescos, doces, sorvetes, saladas e 47 só das frutas em ordem alfabética.
Na margem esquerda, estão indicados os nomes dos livros de Amado em que a fruta aparece. Mais abaixo, surgem os modos e maneiras possíveis de utilizá-la: gelatina, suco, vitamina.
Há ainda o nome científico, importantíssimo e tão esquecido nos livros de cozinha brasileiros, e as calorias. Segue-se o texto propriamente dito, que tenta responder a pergunta - o que Jorge Amado dá de comer e beber aos seus personagens? Falando de frutas, é claro.
Jorge Amado fala bastante delas, dos seus roxos, amarelos e dourados, das consistências, dos seus jeitos. O prazer sensual vem sempre, ou quase sempre, em primeiro lugar. Fruta, do latim ‘‘fruor’’, usufruir, fruir, fruta, ter prazer?
Sabores Fruto do trabalho e do suor do rosto só o cacau. O resto são histórias de mangas sumarentas escorrendo por peles morenas. Da jaca que, de tão boa, seduziu dois homens que esqueceram uma mulher de narinas frementes. Paloma conhece os personagens de seu pai como se fossem parentes. É tudo uma gente só, as Tietas e Gabrielas descalças entrando em casa e os de carne e osso se infiltrando pelo livro. Os araçás são de ‘‘Tieta’’, o cacau é de ‘‘Tocaia’’, Jorge gosta de banana da terra. Fechando o capítulo, vêm as receitas preferidas. Não são só brasileiras. Paloma adora as comidas do Brasil, mas não se nega a receitar um guacamole com abacate, um camarão com abacaxi e cogumelos (!), um doce de cajarana da Ilha de Reunião, um curry de caju, farofa de coco da Indonésia, kir royal de jabuticaba.
Claro que há brasileirices radicais como a jenipapada, o doce de limãozinho do Piauí (humm!), a frigideira de mamão verde. E, se você não gosta de cozinhar, compre o livro por causa dos nomes das frutas. É um mapa de nossos quintais, o inconsciente coletivo brotando nas notas ácidas de araçá, acerola, uvaia, cajá, pitanga. Nos doces toques do mingau generoso da banana, fruta-pão, jaca mole, manga e mamão. E na surpresa amarga da juru-juru jurubeeeeeba!!!!...

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