A moça que pinta é a mesma que há anos enfia a cara boa na televisão para espalhar fatos. Chama-se Regina Menezes, nasceu em Maringá, tem assumidos 38 anos de idade e vem em cena desta vez para anunciar sua primeira mostra individual em Curitiba que acontece até dia 6 de fevereiro, no Artespaço do Mc Donald’s Batel. A exposição reúne 11 trabalhos em acrílico sobre telas que, no conjunto, recebeu o nome de ‘‘A Brincadeira e o Sonho’’. Há cores para todos os gostos e em fartas quantidades servidas, a grande maioria, em telas com formato redondo. A explicação da artista plástica é fascinantemente infantil e metafórica. ‘‘É porque o mundo é uma bola’’- avisa.
E realmente essa mostra tem um caráter lúdico. Obedece ao critério da alegria e do entusiasmo que Regina Menezes foi buscar em cores - vivas cores - que revestem o imaginário infantil. Há zoom nas listras da roupa do palhaço, casinhas plantadas no ar, bois, carneiros, enfim um mundo cheio de signos e formas em que tudo parece ser possível como, por exemplo, a convivência harmoniosa entre homens e animais.
Em outras palavras, os trabalhos da artista plástica são figurativos com prevalecência de peculiaridades pessoais. ‘‘As leituras podem ser diferentes porque trabalho com ícones e fragmentos urbanos. Mas sem dúvida são trabalhos diretos’’- assinala Regina. Oitenta por cento dos trabalhos foram confeccionados especialmente para a mostra. O restante corresponde a outras obras feitas anteriormente por ela e que estavam diretamente relacionadas com o tema.
Ao todo, oito trabalhos em formato redondo que medem entre 29 e 88 centímetros de diâmetro. As três obras retangulares vão de 65x45 por 100x90 centímetros. O convite para expor em Curitiba partiu da Galeria Fraletti Rubbo, que administra o Artespaço em conjunto com o Mc Donald’s. ‘‘Trata-se de um local sempre cheio de gente, um espaço onde todas as nacionalidades se encontram. Essa exposição é bem dentro do espírito de ir aonde o povo estᒒ- frisa Regina.
As telas podem ser adquiridas a preços que variam de R$ 176 a R$ 1,2 mil.
Limpando pincéis Regina Menezes não sabe exatamente quando ou em que circunstâncias despertou para as artes plásticas. Sabe apenas de onde veio a inclinação para coisa: de seu pai, Benigno Menezes, que também é pintor e escultor. ‘‘Cresci limpando os pincéis dele. Aliás, foi ele quem me deu as primeiras noções de luz e sombra’’- recorda-se.
Hoje, Regina pinta e expõe, expõe e pinta. Mas nem sempre foi assim. É que durante um bocado de tempo a artista plástica ficou amoitada atrás da jornalista. Ou seja, a popularidade veio do jornalismo, ofício que começou a exercer há 15 anos como repórter da Folha de Londrina. Teve também passagem importante na Rádio Folha FM como a primeira DJ mulher. Isso em Londrina.
Aí, pintou Curitiba na parada. E ela foi e se tornou, em meados da década de 80, uma das principais apresentadoras e entrevistadoras da TV Paranaense, retransmissora da Rede Globo. Ainda sob o escudo do jornalismo, Regina Menezes atuou no extinto ‘‘TV Mulher’’ e passou pelas redações de ‘‘O Estado de São Paulo’’ e revista Veja.
Pintava, é certo. Mas uma coisinha aqui, ali, acolá, às escondidas. Pintava intuitivamente. Cultivava abafadas pretensões artísticas. Uma das primeiras tentativas de mostrar sua arte aconteceu através da - vejam só, que ironia! - ‘‘Santa Impaciência’’, uma grife de roupas idealizadas por ela e que trazia alguns de seus traços impressos. Não deu certo.‘‘Algumas pessoas achavam que era vanguarda demais. E realmente eu vendia só para o pessoal de teatro’’ - lembra ela.
Indo à luta Em 90, o retorno a Londrina. A jornalista descansava enquanto a artista plástica debruçava-se sobre livros de história da arte para aperfeiçoar o seu auto-didatismo. Buscou jeitos em nomes que ela, hoje, faz questão de soletrar com cuidado, tais como Karen Appel, Mimo Paladino, Baravelli, Leonilson, entre outros. Estava disposta a desencalacrar a arte que há anos a incomodava. A terapia a ajudou também nesse ponto bem como passagens pelo ateliê de uma das celebridades da área em Londrina: Yoshiya Nagakawara.
Os pincéis passaram a lhe ser mais úteis. Em 91, arrebatou dois prêmios em coletivas - o primeiro lugar no 6º Salão Paranaense de Paisagem, em Maringá; e terceiro lugar na 5ª Mostra do Miniquadro, em Curitiba. Mas o lado jornalista também dava toques de impaciência e ela retornou, em 92, à telinha, desta vez como apresentadora e entrevistadora da TV Cidade, onde permanece até hoje.
Nesse mesmo ano, a primeira mostra individual que ela foi selecionada. O nome: ‘‘A Vida Passa na TV’’. O local: Divisão de Artes Plásticas da Universidade Estadual de Londrina. Encerrava-se, aí, a ‘‘guerrilha interna’’ entre a artista plástica e a jornalista. ‘‘Descobri que tanto o jornalismo quanto as artes plásticas são necessários para mim’’- diz ela hoje com serenidade.
Hoje, a serenidade consequentemente lhe permite admitir sem maiores traumas que seu nome ainda está muito mais associado ao jornalismo do que às artes plásticas. Mas ela avisa que é por pouco tempo. Regina não tem pressa. Vai com calma, mas com firmeza. Talvez seja por isso suas exposições individuais são espaçadas. ‘‘No meu ateliê eu busco uma linguagem sincera para meu trabalho porque pintura é a minha grande busca’’ - informa. Palavras de uma mulher feliz e inquieta.
q A Brincadeira e o Sonho - exposição com trabalhos da artista plástica Regina Menezes. Até dia 6 de fevereiro, no Artespaço Mc Donald’s Batel, em Curitiba (Avenida Nossa Senhora Aparecida, 170), diariamente das 11 às 24 horas. Informações pelo telefone (041) 342-5009.

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