A mistura de Guy King
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A segunda edição do Blues in Concert, projeto que antecede o 5º Festival Blues de Londrina (a ser realizado de 4 a 9 de agosto), traz a Londrina o guitarrista e cantor Guy King, um dos nomes mais comentados do blues da atualidade. Em turnê pelo Brasil, ele desembarca hoje na cidade para apresentar clássicos do blues e músicas de sua autoria, às quais imprime seu estilo próprio, inspirado em grandes nomes do blues, jazz, soul e rhythm and blues. O show será no Bar Valentino, às 21 horas. Amanhã, ele se apresenta em Curitiba.
Apesar de ser jovem, desde cedo Guy King vem impressionando com sua habilidade e talento. Nascido e criado em um vilarejo no interior de Israel, chegou pela primeira vez a Memphis, Tennessee, com 16 anos. Após uma curta estadia, voltou ao país de origem, retornando aos 21 anos ao Estados Unidos. Guy mudou-se, então, para Chicago em busca de uma carreira musical. Durante seis anos, foi guitarrista e líder da banda de Willie Kent, com quem fez várias turnês internacionais. Em 2006, com a morte de Kent, Guy King iniciou sua banda e carreira solo.
Conhecido por sua versatilidade em unir o tradicional ao moderno, carrega a influência de grandes nomes que vão desde Robert Jonhson, BB King, Ray Charles, Albert King, Wes Montgomery e Stevie Wonder. Em 2009, lançou seu primeiro álbum solo "LivinIt", muito bem recebido pela crítica, que abriu as portas para seus dois outros discos "I Am Who I Am And It Is What It Is" e "By Myself". Confira a entrevista que o artista concedeu por telefone à Folha2:
Como foi seu primeiro contato com a música?
Com três anos eu já me lembro de gostar muito de música. Em casa, lá num vilarejo em Israel, meus pais e irmãos sempre tocaram algum instrumento. Aprendi a tocar clarinete aos seis anos de idade, mas muito antes já cantava. Foi aos treze que peguei a guitarra do meu irmão pela primeira vez. Não tive professores, aprendi sozinho e de ouvido.
Qual foi o estilo de música que começou a tocar?
Pop e um pouco de rock. Ouvia muito com meus irmãos Michael Jackson e Marvin Gaye que tocavam na rádio. Mas como eu tocava clarinete nessa época, já sabia um pouco de jazz e música clássica. Ainda muito novo eu também conheci o blues e comecei a mudar o estilo.
E como você descobriu o blues?
Por ter uma família musical, já tinha contato com algo de jazz e orquestra. E, como disse, meus irmãos ouviam música no rádio. Foi quando tive contato com a música de Eric Clapton. Depois, descobri BB King, Albert King e comecei a ouvir somente essas coisas. Aprendi assim; ouvia e tocava em seguida.
Então sua relação com o blues começou em Israel?
Sim, não tinha muito para ouvir. E se quisesse ouvir algo do BB King, por exemplo, tinha que esperar um mês para receber o disco. Saía andando do vilarejo até a cidade, pegava um ônibus e, depois de um dia, chegava ao destino. Lá, encomendava o disco na loja. Não era só baixar com um clique. Por isso, ouvia a música com muito entusiasmo.
E como foi a chegada aos EUA?
Fui a primeira vez aos 16 anos, mas voltei para meu país e terminei a escola. Com 21 anos retornei aos EUA. Me perguntavam se eu era músico profissional. Eu já era bom para tocar para o público, mas melhorei muito, pois a música estava na rua nos EUA. O jazz estava em todos os lugares. Pensava: estou caminhando na mesma rua que meus ídolos caminham.
E seu início lá?
Logo que cheguei recebi um convite para tocar na banda de Willie Kent. Fui guitarrista dele por seis anos. Nesse tempo, fui conhecendo muitos músicos e toquei em vários festivais. Ele me deixou cantar também, além de criar vários arranjos. Abri o show várias vezes e, com isso, ganhei muita experiência. Mas quando ele morreu, eu quis montar minha banda. Foi então que comecei com minhas influências. Willie era do blues, um dos melhores que já ouvi. Eu comecei a tocar mais "old scholl" do jazz, como Ray Charles, Charlie Parker e outros pianistas. Fui "jogando" nessa linha do blues com o jazz. E me senti bem com essa mistura, que era mais minha, fazendo, assim, o meu estilo próprio, adicionando metais também.
Teve a oportunidade de tocar com algum de seus ídolos?
Fui convidado a abrir um show de BB King em Chicago, em 2010, num teatro grande. Ele disse que não precisávamos levar equipamento e, inclusive, poderia usar seu amplificador. Me lembro que enquanto fazíamos a apresentação, olhei para o lado e estava ele e toda banda nos assistindo. Não podia acreditar que um de meus ídolos estava ali, influência em várias músicas minhas.
E a música brasileira tem alguma influência no seu trabalho?
Muita, mais do que você possa imaginar. Tem muitas harmonias do jazz que João Gilberto e Tom Jobim misturam com as harmonias brasileiras que são incríveis; eu acho muito bonito o ritmo, a melodia do Brasil. Uma coisa genial e pela qual tenho muito respeito.
Você disse que toca de ouvido. Mas lê partitura?
Aprendi recentemente com um software como escrever partituras para os músicos. Eu escrevo para eles, mas leio muito pouco. Sempre cantei para eles exatamente como eu queria que tocassem. Por isso, meus músicos têm que ser muito bons de ouvido para entender. Todos os arranjos estão na minha cabeça. Eu ainda prefiro essa relação oral com os músicos que chegar com o papel. Essa interação tem mais coração e mais toque.
O que preparou para a apresentação em Londrina?
Preparei algumas coisas novas dessa mistura do blues e elementos do jazz; algumas surpresas dessas combinações de todas minhas influências. Também tem muito soul e a presença forte da guitarra. Digo sempre que vai ser o melhor show que eu vou tocar.
Serviço:
Blues in Concert com Guy King (Londrina)
Quando Hoje, às 21 horas
Onde - Bar Valentino (Av. Pref. Faria Lima, 486)
Quanto - 2º Lote: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)
Crystal Sessions com Guy King (Curitiba)
Quando Amanhã, às 18h30
Onde - Shopping Crystal (R. Comendador Araújo, 731)
Quanto - Gratuito


