A mística dança árabe
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quinta-feira, 04 de agosto de 2011
Ana Paula Nascimento <br>Reportagem Local 
Aos 23 anos, o bailarino londrinense Thomaz Maxwell é considerado um expoente da dança árabe clássica e folclórica no Brasil. Há oito anos dedicando-se profissionalmente à arte - que no início era restrita a apresentações familiares -, Maxwell é um dos destaques do 1º Festival dos Bailarinos Árabes do Brasil, que acontece amanhã, em Guarulhos (SP). No evento, participarão os 30 melhores grupos nacionais, incluindo representantes solos. Como madrinha, o festival terá a bailarina brasileira de dança árabe Soraia Zaied, que mantém uma carreira artística de sucesso no Egito. ''É o primeiro evento do gênero no mundo exclusivo para bailarinos e estou muito ansioso e feliz com o convite'', afirma o bailarino, que também está concluindo o curso de Direito pela Universidade Estadual de Londrina.
Maxwell irá apresentar uma coreografia composta de duas partes: na primeira, vai executar a dança Darwichyah (estilo de dança sagrado originário da Turquia também conhecido como giros dervixes); em seguida, a dança folclórica árabe Tanoura (de origem egípcia), que lembra a dança dervixe, mas sem a conotação religiosa. Com uma trilha composta por um canto sagrado árabe, ele promete encantar o público com dois estilos de dança ainda pouco conhecidos no Brasil. ''Na maioria dos países árabes, as danças brasileiras são muito conhecidas e apreciadas, mas aqui, quando nos referimos à dança árabe, as pessoas tendem a associar apenas à dança do ventre'', comenta. No Brasil, ele é o único bailarino profissional que domina os dois estilos.
A apresentação será limitada a cinco minutos de duração, mas, no caso dos giros dervixes, feitos sempre em sentido anti-horário (ou no ''sentido do coração''), a execução normalmente pode chegar a 20 minutos de duração. De origem mística entre os adeptos do sufismo (forma de misticismo e doutrina de fé islâmico, hostil à ortodoxia muçulmana), a dança giratória é considerada uma forma de entrar em conexão com Deus, uma espécie de transe meditativo.
''Dizem que já aconteceu de monges sufistas chegarem a ficar até dois dias girando sem parar. No meu caso, divulgo apenas o lado artístico da dança, não tendo como foco o aspecto místico, até por questões religiosas, já que sou muçulmano'', comenta. ''Sempre danço com os olhos abertos e mantenho a minha concentração na música. Há informações que apontam que os giros contínuos ativam uma glândula do cérebro que acaba liberando uma substância que causa o relaxamento profundo, como se fosse uma droga'', acrescenta.
Pelo aspecto sagrado do estilo, na primeira parte da dança Maxwell irá usar um figurino branco, caracterizado pela saia longa expandida, que cria um efeito visual interessante durante a execução da dança. No caso da Tanoura, o mesmo tipo de saia é utilizada, mas com tecido colorido. ''O interessante é que apesar de ser uma dança folclórica, a Tanoura é o único tipo de dança não religiosa aceita nos países árabes durante o mês do Ramadã, que acontece em agosto e tem um sentido de profunda introspecção'', explica o bailarino, cuja família é natural da Arábia Saudita.


