Nova York - Quando a princesa Diana morreu, em um dos mais documentados acidentes da história, a imprensa internacional concordou que a invasão da privacidade de pessoas famosas havia atingido níveis inaceitáveis e muitos veículos prometeram não repetir o assédio aos filhos dela, William e Harry. Cinco anos depois, a obsessão mundial com a família real inglesa volta a ganhar força: nos Estados Unidos, dois telefilmes e uma minissérie tentam capitalizar em cima do apetite do público por fofocas sobre Charles, William e companhia.
Apesar de informações contrárias, o mundo está cada vez mais interessado na intimidade dos meninos que herdadram US$ 35 milhões e que começam a experimentar com mulheres, bebida e drogas. Nem os mais próximos resistem à tentação de ganhar dinheiro em cima de informações sobre a família: o canal por assinatura E! Entertainment saiu na frente e comprou os direitos de uma série de onze episódios chamada ''Royalty A-Z'', produzida pela Ardent Productions, do príncipe Andrew.
O envolvimento dele no projeto causou brigas na família, já que, mesmo depois que todos os jornalistas concordaram em sair da universidade em que William está estudando história da arte, na Escócia, uma equipe da Ardent voltou a espionar o príncipe. Andrew teve de se desculpar publicamente pelo incidente - mas continuou a produção da série.
Em ''Royalty A-Z'' são dissecadas as vidas da rainha Elizabeth II, dos príncipes Charles, William e Harry, além de Diana - mas há também episódios dedicados aos casamentos frustrados e outros escândalos envolvendo a monarquia. Ao lado do ''The Anna Nicole Show'', a série é o principal produto do canal para a temporada.
Enquanto o programa resgata os acontecimentos importantes envolvendo a família nos últimos anos, não traz quase nenhuma novidade: os episódios são montados a partir de imagens de arquivos e entrevistas antigas com os personagens. Também aparecem celebridades de calibres variados (como as Spice Girls e a atriz Kirstie Alley) falando sobre eles.
A rede CBS adota um tom mais sério e investigativo no filme ''The Biographer: The Secret Life of Princess Diana'', que vai ser exibido no dia 1º de setembro, que marca o quinto aniversário da morte dela. O filme promete mostrar trechos inéditos das gravações que o escritor inglês Andrew Morton fez nos anos 90 para poder escrever a biografia da princesa, ''Diana: Her True Story''.
A produção mistura cenas reais com trechos em que o ator Paul McGann faz o papel de Morton. O áudio original resgatado das gravações feitas pelo autor deve incluir passagens sobre tentativas de suicídio, de acordo com o jornal ''New York Post''. Morton escreveu também o livro de Monica Lewinsky.
Mas a produção que deve gerar mais polêmica é ''Father and Sons'', que vai contar a história do príncipe William desde a morte da mãe. Produzido pela Fox TV, o filme que vai ser exibido em outubro tem o ator inglês Jordan Frieda, de 24 anos, fazendo o papel do príncipe. O jovem é filho da cantora Lulu, que fez sucesso nos anos 60 com o tema do filme ''Ao Mestre Com Carinho''. O nome do filme, ''Pais e Filhos'', foi escolhido para despistar a imprensa inglesa durante a fase de produção - estratégia que funcionou bem.
Quando os membros da família real ficaram sabendo do projeto (já em fase final), procuraram saber como poderiam proibir a exibição - mas descobriram que não têm poderes legais fora da Inglaterra. William, em particular, teria ficado ''furioso'' ao saber que o filme vai retratá-lo como um ''bêbado conquistador''. Em um comunicado oficial, a família afirmou: ''Não vimos o filme, mas, se o que estão falando é verdade, achamos profundamente ofensivo.''
Quem também não deve gostar do filme é o príncipe Charles e sua namorada, Camila Parker-Bowles. Os dois aparecem em pelo menos uma cena, em que são surpreendidos pelados no palácio de Buckingham. Os produtores do filme garantem que estão mostrando a família real com ''respeito e compaixão''.

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