A MÍDIA DEMENTE
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2001
Carlos Eduardo Lourenço Jorge De Londrina Especial para a Folha 2 
Não é um grande filme. Longe disso. 15 Minutos
é mais um entre dezenas de policiais que lidam com perversos e requintados psicopatas à solta na megalópole. É outro que circunstancialmente junta homens da lei de perfis diferentes, opondo a malandragem de um veterano e as melhores intenções idealistas de um mais jovem. Mas alguma coisa acaba desviando este trabalho da trilha mais batida, do dejà vu desinteressante.
15 Minutos traz Robert De Niro como Eddie Fleming, um tira que se autopromove sempre que pode. É uma celebridade em Manhattan, conhecido e admirado pela população que o reconhece, claro, graças a uma superexposição na tevê através de um programa policial sensacionalista e de vasta audiência, comandado por um jornalista (Kelsey Grammer) na linha reality show, um espécie de Ratinho do primeiro mundo, mantendo algum vestígio de finesse para embrulhar melhor o produto e engrossar em qualquer sentido os índices de audiência.
Os delinquentes da trama chegam à América pelas vias alfandegárias normais. São eles um russo e um tcheco, Emil e Oleg (Oleg Taktarov e Karel Roden), à procura de um primo que deve algum dinheiro. O parente e a mulher são encontrados e mortos. Antes do crime, porém, Karel rouba uma câmera digital de última geração, e sua estréia como cineasta é justamente o registro do crime. A partir deste momento ele passa a registrar em imagens a evolução criminosa do parceiro Emil. No rastro da dupla, o policial De Niro e um detetive do Corpo de Bombeiros especializado em incêndios criminosos.
Desde a camaradagem entre os homens da lei até as perseguições e correrias atrás dos dois eurotrash, tudo é muito previsível. Quase tudo. O que faz a diferença e deixa 15 Minutos atraente é o jogo da mídia em busca de sangue nas ruas, é a relação doentia entre o psicopata da câmera e seu ator preferido, a ligação que eles estabelecem entre o fim (os 15 minutos de fama, acrescidos de impunidade) e o meio (a doentia credibilidade popular desfrutada pelo jornalista que coloca no ar o brutal registro documental de um crime, com a autoria revelada pelas próprias imagens).
15 Minutos se deixa ver sem problemas como uma cínica, selvagem sátira sobre a banalização da violência, a mídia, a corrupção, a depravação e os vícios nela embutidos. Diante deste panorama inquietante é possível esquecer alguma implausibilidade do roteiro escrito pelo próprio diretor, John Herzfeld, a infindável coleção de locações espalhadas por Nova York inteira, um certo enfado de Robert De Niro e a canastrice de Edwar Burns.


