A metamorfose de Rones Dumke
A metamorfose de Rones Dumke
Depois de uma década sem mostrar novos trabalhos ao público, o artista Rones Dumke abre exposição no Memorial de Curitiba
DivulgaçãoA exposição de Rones Dumke aborda os temas Antiguidade Clássica, Mitologia Grega, Metafísica, Geometria e Ótica, através de desenhosSimone Mattos
No início dos anos 70, o artista plástico Carlos Scliar falou a um dos frequentadores de seu atelier, o curitibano Rones Tadeu Dumke, que este teria a sua obra totalmente pronta aos 50 anos de idade. Depois de 30 anos de carreira e uma década sem expôr trabalhos inéditos ao público, Dumke inaugura amanhã uma megaexposição em Curitiba, com cerca de cem obras recentes. Ele completará neste ano meio século de vida.
O artista fala com orgulho da mostra A Cidade da Arte e da Manufatura/ Amores Óticos - Metamorfoses que ficará em cartaz até o dia 1ª de agosto no Memorial de Curitiba, no Largo da Ordem. A exposição aborda os temas Antiguidade Clássica, Mitologia Grega, Metafísica, Geometria e Ótica, através de desenhos.
Dumke ainda faz mistério sobre a técnica utilizada, uma vez que ela custou anos de pesquisa. Foi uma verdadeira via-sacra, comenta ele. Só o que o artista revela é que, para construir as imagens, ele utilizou como fonte gravuras de livros antigos, que foram recortadas e coladas. A base é o processo clássico de colagem, já utilizado pelo dadaísmo, por exemplo, explica.
Ele classifica o trabalho que tem desenvolvido como sendo um crime perfeito. Seu maior desafio foi o de unir fragmentos de gravuras, montar o quebra-cabeça e formar uma imagem coerente.
Dumke afirma estar fazendo travessuras com um material que vem acumulando durante anos, sem saber ao certo qual destino daria à imensa coleção de livros antigos, comprados exclusivamente pelo fascínio exercido pelas ilustrações. Ele reúne os fragmentos e passa-os para uma matriz em madeira (talho doce), estabelecendo relações de semelhanças de formas e conteúdos entre as cenas.
A intenção é manipular o material coletado, construindo sobre-imagens a partir da inspiração e do inconsciente, totalmente sem a utilização do computador, garante ele. Somente nos últimos cinco meses, Dumke produziu mais de 150 desenhos utilizando esta técnica. A exposição irá reunir uma seleção da sua produção dos últimos cinco anos.
Depois de dedicar-se à pintura e ao desenho, esta seria uma forma diferente do artista expressar suas idéias. Resgatando a técnica da colagem, ele ressalta a beleza das gravuras antigas, metamorfoseando as imagens pelas suas próprias mãos.
O maior desafio, entretanto, será do público, antecipa Dumke. Cada imagem contém muitas idéias e caberá ao público resgatá-las. Ele diz que ninguém conseguirá apenas passear pela sua exposição, sem parar para analisar cada obra.
Dumke critica o esvaziamento do conteúdo das obras, o que estaria acontecendo com vários artistas. O meu trabalho não é abstrato, cada imagem tem uma grande carga de material simbólico e provoca reflexão, fazendo o público parar para pensar, desafia.
A cidade da arte e da manufatura é a idéia central da exposição. Nela, eu aproximo as estátuas da mitologia grega, por exemplo, da cidade, explica. Unindo o clássico e o moderno e o passado e o presente, sem tempo ou espaço definidos, Dumke propõe com seu trabalho uma cidade de formas ideais.
A exposição A Cidade da Arte e da Manufatura/Amores Óticos-Metamorfoses, de Rones Dumke, será inaugurada às 19h de amanhã e ficará em cartaz até 1º de agosto, no Memorial de Curitiba (Largo da Ordem). O horário de funcionamento é de terça a sexta, das 9h às 19h e aos sábados e domingos das 9h às 15h.





