A metáfora dos materiais
A questão dos mitos e arquétipos e a condução da matéria de um estado caótico para um estado determinado são aspectos fundamentais da obra de Beuys, não importando se são peças achadas ou feitas, objetos esculturais autônomos ou relíquias de um tempo passado. Suas esculturas existem no campo dos significados simbólicos, criando conexões e associações das quais as metáforas vão surgindo e se irradiam, para realizarem uma passagem que vai de uma experiência pessoal para outra, mais fundamental e universal. Da mesma maneira que o idioma e a semântica dão forma a pensamentos e determinam como nós entendemos um ao outro, assim faz o princípio de seu manifesto criativo em prática artística e age como um modelo para aspectos inerentes dos processos sociais, explica o curador Emily Rekow.
Para entender seu trabalho é preciso se concentrar na capacidade evocativa dos materiais empregados e na relação estabelecida entre eles. Suas obras exigem a participação ativa e criadora do observador, que deve ir em busca dos significados propostos pelo artista, não bastando somente a contemplação passiva diante da obra. Para Beuys, que usava sangue, mel, papel, gesso, bronze, metais, vidros, tecidos, e toda sorte de objetos, as metáforas e a realidade se constituíam da mesma essência onde matéria e energia tornavam-se indistintas. Em uma de suas obras, Capri-Batterie, de 1985, o artista simplesmente uniu uma lâmpada amarela a um limão, por meio de um soquete, fazendo com que a acidez da fruta acendesse a luz da lâmpada, recomendando que a bateria fosse trocada a cada mil horas. A simbologia da cor amarela, no caso, e a relação de um elemento industrial com outro, natural, tornam evidentes suas preocupações em unir, ou re-ligar o homem à natureza.





