Os cinco ‘‘Contos de Amor e Morte’’, de Nelson Rodrigues, serão levados ao palco pela diretora Pita Belli, em junho, no Teatro do Paiol. A montagem não realista, sem cenário, tem merecido tanta atenção que foi alvo de um jantar na casa da atriz Christiane de Macedo.
No cardápio, a ‘‘Posta Nelson Rodrigues’’, que desbancou o antigo nome de ‘‘Posta da Márcia’’, irmã da atriz. À mesa, a carne ao champignon foi acompanhada por uma discussão sobre a obra do teatrólogo, entre a diretora e a atriz. Os temas foram batata palha, arroz branco e salada.
A fome de ser amado é o argumento dos cinco contos ‘‘O Canalha’’, ‘‘Marido Infiel’’, ‘‘O Desastre’’, ‘‘Traído Por Ser Bom’’ e ‘‘Para Sempre Fiel’’, onde o protagonista de um é o personagem coadjuvante de outro. ‘‘Os personagens se entrelaçam nas histórias, com grandes obsessões (ciúme, ódio. traição, morte) que levam à uma sequência de loucuras’’, conta a diretora.
Segundo o próprio Nelson Rodrigues, não são os seus personagens os loucos, mas os seres humanos. Uma fala de um dos contos resume bem a idéia do teatrólogo: ‘‘quem tem amor próprio não tem amor’’. Os contos tratam das relações interpessoais entre homens e mulheres.
A platéia sempre se reconhece em um dos personagens, garante Christiane. ‘‘Se não houvesse raciocínio, ou contar de um a dez, as pessoas se matariam. Por sermos sociabilizados, não chegamos a extremos. Mas os personagens de Nelson Rodrigues vão até o fim’’. Além de Christiane, o elenco da peça ‘‘Contos de Amor e Morte’’ é formado por Tupa Matheus, Betina Belli, Richard Rebello e Claudete Oliveira, que têm a tarefa de desvendar a alma humana sem os artifícios do cenário.
A diretora que também é professora de Artes Cênicas da Universidade Regional de Blumenau (SC) tem entre suas últimas direções as peças ‘‘Tudo por um fio’’, de Maria Clara Machado; e ‘‘Nossa cidade’’, de Thornton Wilde. Christiane atuou mais recentemente em ‘‘Os incendiários’’, de Felipe Hirsch; ‘‘A Grega’’, de Marcelo Marchioro; ‘‘Literatura viva’’, de Jonas Bloch; ‘‘Ao redor da mesa e ‘‘Os Lusíadas’’, acompanhada pelo violonista Otávio Camargo.

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