À MESA COM NELSON RODRIGUES
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de maio de 2001
Elisa Marilia Carneiro De Curitiba 
Os cinco Contos de Amor e Morte, de Nelson Rodrigues, serão levados ao palco pela diretora Pita Belli, em junho, no Teatro do Paiol. A montagem não realista, sem cenário, tem merecido tanta atenção que foi alvo de um jantar na casa da atriz Christiane de Macedo.
No cardápio, a Posta Nelson Rodrigues, que desbancou o antigo nome de Posta da Márcia, irmã da atriz. À mesa, a carne ao champignon foi acompanhada por uma discussão sobre a obra do teatrólogo, entre a diretora e a atriz. Os temas foram batata palha, arroz branco e salada.
A fome de ser amado é o argumento dos cinco contos O Canalha, Marido Infiel, O Desastre, Traído Por Ser Bom e Para Sempre Fiel, onde o protagonista de um é o personagem coadjuvante de outro. Os personagens se entrelaçam nas histórias, com grandes obsessões (ciúme, ódio. traição, morte) que levam à uma sequência de loucuras, conta a diretora.
Segundo o próprio Nelson Rodrigues, não são os seus personagens os loucos, mas os seres humanos. Uma fala de um dos contos resume bem a idéia do teatrólogo: quem tem amor próprio não tem amor. Os contos tratam das relações interpessoais entre homens e mulheres.
A platéia sempre se reconhece em um dos personagens, garante Christiane. Se não houvesse raciocínio, ou contar de um a dez, as pessoas se matariam. Por sermos sociabilizados, não chegamos a extremos. Mas os personagens de Nelson Rodrigues vão até o fim. Além de Christiane, o elenco da peça Contos de Amor e Morte é formado por Tupa Matheus, Betina Belli, Richard Rebello e Claudete Oliveira, que têm a tarefa de desvendar a alma humana sem os artifícios do cenário.
A diretora que também é professora de Artes Cênicas da Universidade Regional de Blumenau (SC) tem entre suas últimas direções as peças Tudo por um fio, de Maria Clara Machado; e Nossa cidade, de Thornton Wilde. Christiane atuou mais recentemente em Os incendiários, de Felipe Hirsch; A Grega, de Marcelo Marchioro; Literatura viva, de Jonas Bloch; Ao redor da mesa e Os Lusíadas, acompanhada pelo violonista Otávio Camargo.


