A mente no limiar de dois mundos
Um mergulho no universo sombrio da mente humana é a proposta da peça Quaru - o Limiar de Dois Mundos, que volta a cumprir temporada em Curitiba. A montagem é uma adaptação, feita pelo diretor da peça, Emerson Rechemberg, a partir de textos de Antonin Artaud, fragmentos de Hamlet, Shakespeare e da obra Eu Nunca te Prometi um Jardim de Flores, de Hannah Green.
A primeira temporada aconteceu de 28 de novembro a 13 de dezembro, no Teatro Cultura, quando cerca de 70 pessoas por noite assistiram ao espetáculo. A reestréia acontecerá nesse sábado, no mesmo local.
O diretor explica que a peça traz muito das experiências anteriores do grupo. Em 1997, o mesmo elenco apresentou O Pesa Nervos, peça que exigiu três meses de pesquisas em campo, realizadas em hospitais psiquiátricos de Curitiba e região. Essa é uma questão ainda muito desconhecida, a realidade dos internos é absurda, conta Rechemberg.
O grupo está junto há quatro anos e sempre se caracterizou por utilizar salas não convencionais e por procurar diferenciais do teatro convencional. O elenco é formado pelos atores Adriana Vaz, Ana Clara Fischer, Claudinei Padilha e Melissa Zanardo.
Quaru - O Limiar de Dois Mundos não obedece a sequência começo, meio e final. Nem o texto e nem o cenário são tradicionais. Ao longo da peça, os atores empilham blocos de concreto, criando quatro paredes que os separam do público.
Dentro do contexto, eles estão se fechando para o mundo, criando um distanciamento com o público. Com a performance, o diretor também aproveita para questionar e criticar a técnica da quarta parede, muito utilizada em teatro.Everton Grabski/DivulgaçãoCena da peça Quaru - O Limiar de Dois Mundos, baseada em textos de Antonin ArtaudSimone Mattos





