'A Melodia das Coisas' aborda a necessidade de conhecer a si mesmo
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Redação FolhaWeb 
Alguns escritores não ganham notoriedade por textos que defendem com unhas e dentes. Não se tornam conhecidos pelas obras que escolheram e esperam ser condecorados. Muito pelo contrário, alguns autores conquistam fama por algo que não esperavam, por textos que não pensavam publicar, que nunca imaginaram tornar público.
Esse é o caso de Rainer Maria Rilke (1875 - 1926), considerado um dos principais poetas de língua alemã da literatura universal. Embora tenha escrito dezenas de livros de poesia, ficou mais conhecido por suas cartas publicadas postumamente. Mais especificamente um conjunto de cartas que ficou conhecido sob o nome de ''Cartas a Um Jovem Poeta''.
No Brasil, ao longo das décadas, essas cartas ganharam várias edições com tradução de figuras como Cecília Meireles, Paulo Rónai, Manuel Bandeira, Geir Campos e Otto Maria Carpeaux, entre outros. A correspondência de Rainer Maria Rilke acaba de ganhar uma nova edição lançada pela editora Estação Liberdade dentro do volume ''A Melodia das Coisas'', que reúne ensaios, contos e cartas do poeta.
Toda história começa em 1903, quando um jovem chamado Franz Xaver Kappus tem a coragem de enviar uma carta a Rilke, um poeta com renome na época. Na correspondência, Kappus afirmava que deseja se tornar poeta e solicitava algumas dicas e toques a Rilke. Tem início então uma troca de cartas que se estenderiam por um período de cinco anos.
Organizado por Claudia Cavalcanti, ''A Melodia das Coisas'' também traz quatro contos que só servem para demonstrar como Rainer Maria Rilke era um ótimo poeta e um péssimo contista. Além das cartas dirigidas ao jovem poeta, traz cartas enviadas a duas mulheres presentes na vida de Rilke: Clara Rilke (esposa) e Lou Andreas-Salomé (amante).
Nascido em 1975 numa família de língua alemã na cidade de Praga sob o domínio do Império Austro-Húngaro, recebeu o nome oficial de René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke. Sua mãe o vestiu com roupas femininas até o cinco anos de idade. O pai, de origem militar, procurou corrigir as coisas internado o garoto numa escola militar. No exército um novo trauma se desenvolveu.
Um dos ensinamentos propagado pelo poeta é de que ''as coisas não são assim tão compreensíveis e dizíveis como quase sempre gostaríamos de acreditar - a maior parte dos acontecimentos é indizível, ocorre num espaço em que nuca entrou uma palavra, e as mais indizíveis de todas são as obras de arte''. Não haveria outro jeito a não ser atingir o tutano da flor ao sol.
Leia mais na crítica do jornalista Marcos Losnak


