Balneário Camboriú (SC) - Encravado no Litoral Norte de Santa Catarina, Balneário Camboriú é a mais famosa e badalada praia do Sul do Brasil. Recebe gente de todos os cantos do País e se transformou em reduto, principalmente, de paranaenses e argentinos. Por onde se anda, esbarra-se em alguém destas duas localidades. Os vizinhos sul-americanos preferem mais a área central e os turistas do Paraná se concentram no Pontal Norte e Sul.
Outros membros do Mercosul que descobriram as belezas e a agitação da praia catarinense são os uruguaios e paraguaios, que começam a chegar em grande número, vindos principalmente da capital Assunção em suas caminhonetes a diesel 4x4. Até mesmo o site da prefeitura faz uma brincadeira, colocando como uma das ''línguas'' mais faladas na cidade o ''portunhol''.
Realmente, há uma mistura de português e espanhol em cada rua da cidade de cerca de 100 mil habitantes (IBGE 2004). De acordo com os estudos da Secretaria Municipal de Turismo e pesquisa de demanda turística da Santur - órgão oficial de turismo de Santa Catarina -, a população flutuante na cidade durante o período de pico da temporada (entre o Natal e os primeiros dias de janeiro), oscila na casa de 600 mil pessoas. Na temporada toda, este número chega a 1,5 milhão. Toda esta multidão vem em busca de tranquilidade, mas também de agitação. E Camboriú consegue agradar a todas as tribos.
Os casais com filhos menores podem aproveitar os 6,8 quilômetros de orla sem medo. O mar é calmo e raso. Caminha-se por mais de 100 metros, com a água ainda pela cintura. E nos dias de verão, as ondas não chegam a passar de 1 metro a 1,5 metro de altura.
O casal de amigos Melek e Camargo, do Paraná, atesta a reputação de ''praia família''. Há 8 anos repetem o mesmo ritual: passar alguns dias de férias em Balneário Camboriú. Regina e George Melek são de Campina da Lagoa e Marizete Bertoline e Mauro Camargo vivem em Foz do Iguaçu.
''Em Santa Catarina, o melhor lugar é aqui, tem excelente infra-estrutura e a praia é bem calma, boa para as crianças'', explica o comerciante George, enquanto brinca com as duas filhas - Vitória, de 9 anos, e Isadora, de 6. Pelo jeito que elas se divertem na areia da praia, demonstram que aprovam a idéia dos pais.
A comerciante Marizete, que estava com o marido, o advogado Mauro, concorda. ''Aqui em Camboriú é maravilhoso. Tem de tudo bem pertinho e os preços não são altos'', afirma. ''E a gente ainda aproveita para compartilhar alguns dias com nossos amigos.''
No Pontal Norte também estava o casal Maria Carmem e Neudi Secchi. Eles moram em Camboriú há 4 anos. Antes, viviam em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina. ''Aqui, a qualidade de vida é bem melhor, não tem comparação'', explica Maria. Neudi tem um escritório em Itajaí, onde trabalha com importações, aproveitando a presença do porto. ''Nada como poder morar bem, e felizmente meu trabalho me dá esta oportunidade''.
Os argentinos Ramon e Carmem Salazar, com as pequenas Nicole e Sabrinha, gêmeas de 4 anos, também escolhem Camboriú para passar as férias todos os anos, sempre em janeiro. ''Não há praia melhor, aqui no Sul. Tem de tudo, mar, sol, bons restaurantes, hotéis, casas noturnas e um comércio bem variado e movimentado'', afirma Carmem, completando que o casal já pensa em comprar um imóvel e vir morar de vez no Brasil.
Como eles, muitos argentinos aproveitaram a estabilidade econômica do peso, nas décadas de 80 e 90, e a instabilidade brasileira, com inúmeros planos ''milagrosos'', inflação alta, mudanças de moeda, desvalorização diária frente ao dólar, para comprar imóveis em Camboriú. Dados não oficiais estimam em mais de 10 mil o número de argentinhos morando na cidade. E acima de 100 mil os que vêm na temporada.
Todos são atraídos pela excelente qualidade de vida. Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Balneário Camboriú é a primeira cidade de Santa Catarina em qualidade de vida.
Há também a identificação com a cidade, que conta com seus tipos folclóricos e tradicionais como o ''Homem do Chifre'' que anda pelas ruas e praias, só de sunga, um chapéu de chifre de boi e um megafone potente anunciando casas noturnas, bares e restaurantes.
Outro tipo é o ''Cláudio Batata'', que há 20 anos vem toda temporada para Balneário Camboriú vender batata frita caseira. Ele mora em Joinville e desembarca na praia no feriado de Nossa Senhora Aparecida, em outubro, e só volta para casa depois da Páscoa. ''Aí eu tiro umas férias para aproveitar o dinheiro que ganhei na temporada e faço outros negócios até chegar o verão novamente'', diz, para logo depois sair berrando: ''Batata, batata, ba-ta-taaaaaaaaaa''.

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