Os picos da Cordilheira dos Andes se multiplicam enquanto o avião ensaia o pouso e mergulha entre as montanhas. A surpresa vem em seguida. No meio, cercada por escarpas, está uma grande cidade. Se Cuzco apresenta atrativos do alto, eles se proliferam nas ruas de uma cidade erigida por uma civilização que já não existe.
Todo o traçado central de Cuzco obedece às ruas de Qosqo, capital do Império Inca. Ali o povo registrou sua força, onde o grande Inca governava seu território. Também foi a cidade que mais sofreu com a invasão espanhola. Sua população foi dizimada, os que sobraram viraram escravos que observaram igrejas católicas serem erigidas sobre seus templos mais sagrados. Eles também viram suas casas se transformarem em casarões coloniais.
Foto: DivulgaçãoA cidade e suas ladeiras levam o turista a uma viagem históricaMas a angústia de um povo derrotado prevaleceu na resistência de uma cultura que sobrevive. Praticamente toda a população ainda fala o quechua a língua Inca. Se nas ruas os muros da antiga civilização são cobertos por casas espanholas, nos quadros católicos a cultura nativa se revela. Na Catedral, há uma versão da Santa Ceia em que o prato principal é o cuy ao forno, tradição Inca. A mão de ferro dos espanhóis esmagou a cidade, impôs o catolicismo e transformou o povo, mas não afastou-o de suas raízes.

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