A maturidade da Oficina
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Foram 63 espetáculos oficiais e outras dezenas de outros shows no circuito alternativo, em 22 dias de programação que reuniu 1443 alunos e 113 professores. A 27 edição da Oficina de Música de Curitiba movimentou público de mais de 20 mil pessoas e nesta temporada comemorou a participação de músicos de mais de dez países, em uma proposta mais global.
''Acho que foi a oficina 'da maturidade', conseguimos aperfeiçoar muita coisa, principalmente nos bastidores. Neste ano tivemos menos problemas na produção do que nos anteriores. Além disso, o nível dos professores está cada vez melhor'', avalia a diretoria da Oficina, Janete Andrade.
Além de apresentações de grupos multiétnicos, a exemplo do Ensemble Mediterrain e do América Contemporânea, a Oficina deste ano trouxe como novidade o Festival de Música Étnica, programação paralela que tornou-se ''carro-chefe'' nesta edição. ''Como você vai fechar as fronteiras de nosso País com esses outros ao nosso redor? Uma das funções da Oficina é justamente dialogar a música brasileira com a de outros países, não somente os que estão nas nossas fronteiras'', afirma Janete.
Mesmo com o sucesso, a continuidade do núcleo de música étnica depende de iniciativas da comunidade, especialmente a da artística. O Festival de Música Étnica, por exemplo, teve um edital próprio, separado da Oficina, a partir de projeto do músico Vadeco, do grupo Vadeco e os Astronautas. ''É difícil saber se vai haver continuidade. Incorporamos o departamento de música étnica porque o edital foi separado. Vai depender da iniciativa da comunidade'', adianta a diretora.
Depois de um balanço positivo, a organização busca agora manter a Oficina viva durante o restante do ano na programação da Fundação Cultural de Curitiba. ''A perspectiva agora é fazer um 'brainstorm' e deixar o 'esqueleto' da próxima Oficina já pronto para o próximo ano'', diz. ''A Fundação tem nos ajudado muito e a programação continua, com as músicas de câmara, a Ópera Ilustrada, o projeto Música nos Parques, as apresentações da Camerata Antiqua e outros projetos'', complementa.
E, mesmo com uma boa avaliação, Janete já avisa o que pretende melhorar para a próxima edição. ''Ainda há algumas questões para melhoramos, como o número de patrocinadores, queríamos ter mais. Mas o que eu mais gostaria de ver é um envolvimento mais profundo da comunidade, uma atenção maior para esse lado social, fazer com que as pessoas adotem a Oficina como um patrimônio da cidade.''


