A personalidade do ator morre no teatro de máscara. Entre os dois, a disciplina que anula qualquer indisposição em se deixar conduzir por ela, como acredita o ator Filipe Crawford, da companhia portuguesa Casa da Comédia, que apresenta hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Zaquel de Melo, dentro da programação do 38º Festival Internacional de Londrina (FILO), a peça ''A História do Tigre''.
Crawford chegou ao teatro de máscara, depois de um período de estudos na França, conhecendo o trabalho de Mário Gonzalez, que chegou a integrar o elenco do Cirque du Soleil.
''Fiquei encantado com o trabalho dele, chegando a estagiar no Soleil. Ao voltar para Portugal, comecei a trabalhar com máscaras, que na minha opinião é uma escola de atuação. Vem dos tempos antigos e mais tarde com a invenção da máscara-neutra, o ator conseguiu unificar os hábitos, sendo capaz de se desprender dos seus artifícios'', afirma o ator português, que buscou na tradição teatral ocidental do Teatro Grego e da Commedia dell'Arte, do Teatro Ritual e da arte do Oriente, em que a máscara assume papel importante, os fundamentos para construir os seus espetáculos.
Em ''A História do Tigre'', peça inspirada no teatro popular e marginal chinês, com texto de Dario Fo - Prêmio Nobel de Literatura de 1997 - Crawford usa máscaras balinesas para contar uma fábula.
Durante a Grande Marcha, um soldado ferido é abandonado pelos companheiros e se refugia numa gruta do Himalaia. Ao encontrar uma trigresa, com os filhotes, ele passa a conviver com os animais.
Na China o tigre tem um significado simbólico, associado à força de viver.
''Em tempos de crise, como os de hoje, é sempre bom dizer que temos um tigre'', associa Crawford.

FICHA TÉCNICA
Texto: Dario Fo
Encenação e interpretação: Filipe Crawford
Produção: FC Produções Teatrais/Teatro Casa da Comédia
Classificação: livre

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