A marca do Zorro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de outubro de 1998
Marden Machado 
Existem dois Zs na história do cinema. Um tem origem grega e é adorado pela turma do papo cabeça, trata-se do filme político Z, dirigido por Costa-Gavras no início dos anos 70. O outro é mais popular e se inspira na personagem criada pelo repórter policial americano Johnston McCulley, em 1919, na série publicada em cinco partes em uma revista de histórias baratas, A Maldição de Capistrano, que contava as aventuras de um nobre de origem espanhola que lutava pela liberdade da Califórnia na primeira metade do século passado. O ator Douglas Fairbanks leu a história de McCulley e comprou os direitos para adaptá-la para o cinema e em 1920 foi lançado A Marca do Zorro.
Fairbanks sabia que tipo de material tinha nas mãos e magistralmente conseguiu melhorá-lo. Foi idéia dele o uso da máscara e da capa, além de um chicote e uma espécie de caverna secreta que funcionava como esconderijo (o Batman só apareceu 20 anos depois) e, o mais importante de tudo, foi ele também que criou o famoso Z.
Depois de inúmeras versões para cinema e televisão, o defensor mascarado está de volta em grande estilo na mais nova produção de Steven Spielberg, A Máscara do Zorro (The Mask of Zorro - EUA 1998), com direção de Martin Campbell, o mesmo de 007 Contra Goldeneye, e trazendo pela primeira vez um ator espanhol no papel principal, Antonio Banderas.
Tudo começa quando o Zorro original, Diego de la Vega, é desmascarado e preso. Sua esposa é assassinada e a filha recém-nascida levada para a Espanha por seu maior inimigo, Rafael Montero. Vinte anos depois, o inimigo está de volta à Califórnia e o velho Zorro foge da prisão e termina encontrando um jovem ladrão, Alejandro Murieta. Ele decide treiná-lo para que a marca do Zorro volte e liberte de uma vez por todas a Califórnia do domínio espanhol.
Com uma produção de 60 milhões de dólares e um elenco que além de Banderas conta com o experiente Anthony Hopkins (O Silêncio dos Inocentes) no papel de Dom Diego e apresentando a bela atriz galesa Catherine Zeta-Jones, como a filha roubada de nosso herói, A Máscara do Zorro é um filme de ação como os de antigamente. Não abusa de efeitos especiais e mistura na doses certas aventura, romance, nobreza e humor.
Resumindo: diversão plena. Uma grata surpresa depois de uma temporada de Armageddon e Godzilla , filmes caríssimos que prometeram muito e no final revelaram-se como recheio de um bolo vazio.


