A marca da zorra
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de dezembro de 2013
Geraldo Bessa<br>TV Press 
De personalidade exagerada e intensa, Jorge Fernando está sempre de olho em algum futuro projeto. Acostumado ao esquema complexo e industrial das inúmeras telenovelas que vem comandando ao longo dos anos caso de "Caras & Bocas", "Ti-Ti-Ti" e da nova versão de "Guerra dos Sexos" , o diretor está, desde março, mergulhado no processo diferente e artesanal que resultou em "Divertics".
O programa, que tem previsão de estreia para o próximo domingo (8), às 14h, foi feito em parceria com o roteirista Cláudio Torres Gonzaga e aglutina esquetes cômicos, música, circo e auditório. Tudo feito em formato de teatro de arena. "Demorou, mas saiu! O programa é diferente de tudo o que eu já fiz na tevê. Precisei desse tempo de preparo para adequar o meu olhar de diretor ao esquema aberto e múltiplo da produção", explica.
Carioca nascido e criado no subúrbio de Del Castilho, Jorge Fernando estreou na tevê há exatos 35 anos, no seriado "Ciranda, Cirandinha", exibido pela Globo em 1978. Não demorou muito para que sua curiosidade sobre os bastidores dos estúdios o levasse para a função de diretor.
Em 1981, sob a batuta de Roberto Talma, codirigiu "Jogo da Vida", de Silvio de Abreu, autor que, ao longo dos anos, se revelaria um de seus maiores parceiros artísticos. Juntos, foram responsáveis por sucessos como "Cambalacho", "Rainha da Sucata" e "A Próxima Vítima".
Seu nome é bastante associado a novelas e séries de forte apelo cômico, casos de "Guerra dos Sexos" e "Minha Nada Mole Vida". Como você encara a oportunidade de fazer um programa de variedades onde a comédia é o centro das atenções?
É um respiro para a minha trajetória. Adoro fazer shows e, mesmo assim, fiz poucas coisas do tipo na Globo: umas cinco edições do "Criança Esperança", outras de "Roberto Carlos Especial" e algumas produções com a Xuxa. A nova versão de "Guerra dos Sexos" foi minha 35ª novela. Então, é um projeto novo para mim, onde deposito muitas ideias que surgiram enquanto eu estava dirigindo as tramas do Silvio (de Abreu), do Walcyr (Carrasco) e da Maria Adelaide Amaral. Tenho 58 anos e a minha mente não para. Encaro o "Divertics" como uma oportunidade de agregar novas experiências à minha trajetória.
Além de dirigir, em "Divertics", você participa ativamente dos quadros também como ator. Isso torna as gravações mais complexas?
Atuar em produções que eu dirijo é uma constante na minha vida. Os autores com que trabalho até já escrevem um personagem para uma possível participação especial. Eu adoro participar, mas confesso que é uma coisa meio louca. Penso totalmente diferente quando estou na posição de ator. No "Divertics", é claro, eu apareço na frente do vídeo, mas muitas vezes na versão diretor, comandando e participando da cena. Como não tem um personagem inteiro para encenar, a coisa fica mais solta e divertida.
Você acredita que o formato de programa de auditório, já tão utilizado pela atual grade da Globo, é o ideal para o "Divertics"?
Existe uma tendência mesmo dentro da emissora de formatar diversos programas de auditório. Acho que ter o público presente valoriza a produção. Na Globo, nos últimos 10 anos, quase todo o investimento em humor foi feito no formato de seriados, histórias semanais, dramatúrgicas e com toque de comédia. Eu mesmo dirigi e atuei em alguns, como o "Minha Nada Mole Vida" e o "Macho Man". O legal do "Divertics" é a abrangência. Dá para homenagear desde a "Sexta Super", do Vanucci (Augusto César, diretor), a "TV Pirata", passando por outros programas e todo o tipo de humor, inclusive, o da internet.
Em 2013, você completa 35 anos de Globo. Com tantos anos de carreira, como lida com estreias, vitórias e fracassos de sua trajetória?
Uma hora eu vou morrer. Essa sensação de finitude me faz não ter receio de me expor. A vida tem de ser mais aproveitada e, se você ficar carregado de pretensões ou se sentindo "o máximo", acaba se sentindo na obrigação de ser brilhante. Isso não agrega em nada. Não preciso mais mostrar que eu posso ser bom. Eu torço para as coisas darem certo. Se não dão, paciência! Mas tenho claro na minha mente que nenhum autor e diretor se juntam pensando: "Vamos fazer um programa que vai ser uma merda?" (risos).


