A maravilhosa Alice, por Tim Burton
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Agência Brasil 
O diretor Tim Burton, responsável por filmes como ''Edwards Mãos de Tesoura'', de 1990, e ''Sweeney Todd'', de 2007, está engajado em uma nova superprodução. Dessa vez, a escolha de Burton foi adaptar para o cinema a complexa obra literária Alice No País das Maravilhas, do escritor Charles Lutwidge Dodson, mais conhecido pelo pseudônimo Lewis Carrol.
Carrol nasceu na Inglaterra, em 1832. Foi matemático, professor da Universidade de Oxford, lógico, fotógrafo e romancista. ''Alice no País das Maravilhas'' foi sua primeira obra literária, concluída em 1865. O livro, considerado um clássico nonsense, teve a primeira versão leiloada por um milhão de dólares, em 1998, em Nova Iorque, em homenagem aos cem anos da morte do autor. Além disso, o sucesso não se resume à literatura, já que Alice já foi transportada para as telas várias vezes. A primeira versão cinematográfica é de 1903, e alguns trechos podem ser conferidos no site Youtube.
Mesmo com tantas adaptações baseadas na obra de Carrol, a mais famosa é a animação da Walt Disney, de 1951. Apesar de ser destinada ao público infantil, há controvérsias sobre o verdadeiro público alvo de Alice. Segundo a psicanalista e doutora em comunicação Dinara Guimarães, embora o livro tenha sido escrito para crianças, surpreende os adultos com a representação do mundo feito de surpresas e inversões. ''Sem dúvida, elas não são histórias apenas para crianças. A história de uma menina que muda de tamanho a cada página trata da instabilidade do sujeito humano'', afirma a psicanalista.
Por trazer uma trama com tão pouca lógica aos olhos do público mirim, o filme não fez sucesso na época e tornou-se o maior fracasso da Disney até ''A Bela Adormecida'', em 1959.
Apesar disso, o mundo fantástico e incoerente de Alice fascina os mais peculiares adultos, como o músico Marilyn Mason. O astro do rock tentou fazer uma nova adaptação através da visão dele sobre a obra de Carrol, mas o projeto não saiu do papel, e quem ficou com os direitos foi mesmo Burton.
Em entrevista ao jornal americano Los Angeles Times, o diretor de ''A Noiva Cadáver'' declara que a obra de Carrol é um projeto curioso. ''A história é obviamente um clássico, com imagens icônicas, ideias e pensamentos. Mas de todas as versões para o cinema eu nunca vi uma que tenha realmente me impactado. São apenas uma série de acontecimentos malucos. Todo personagem é estranho e ela (Alice) meio que vaga como observadora por esses encontros'', afirma.
O diretor vai usar no longa a mesma tecnologia 3D vista em ''A Lenda de Beowulf'', de Robert Zemeckis. No elenco, é claro, Johnny Depp, interpretando o chapeleiro maluco e marcando seu sétimo trabalho com o diretor, e a australiana Mia Wasikowska, na pele da graciosa Alice.
As filmagens tiveram início em setembro, com roteiro de Linda Woolverton, a mesma de ''A Bela e a Fera'' e ''O Rei Leão''. A estreia do longa está prevista para 2010, tempo suficiente para todos lerem a obra de Carrol.


