A mania do Live Action
A mania do Live Action
Nelson Sato
Warren NabucoGrupo de jogadores de Live ActionO sol ainda arde lá fora, mas os vampiros não esperam a noite e já circulam pelos corredores do shopping atrás de novas vítimas. Dois deles conversam num banco, indiferentes ao movimento das lojas.
- Tudo está muito calmo por aqui. Que tal matarmos alguém?.
A frase, pronunciada pelos personagens de um Live Action, assusta um casal de velhinhos que sai em disparada atrás dos seguranças do local. O fato aconteceu durante o 1º Comic Com, evento que reuniu adeptos de quadrinhos, RPG, Ficção Científica e Live Action em janeiro do ano passado, no Catuaí Shopping, em Londrina.
Esse foi o segundo grande Live na cidade. O primeiro foi realizado há uns dois anos no campus da UEL - lembra Samir Libos, 16 anos, um dos iniciados nesse jogo de fantasia que necessita de lugares espaçosos para ser praticado. Surgido como uma variante dos Role Playing Games (jogos de representar papéis), o Live Action foi definido recentemente por uma revista semanal como a última moda em diversão.
Exagero À semelhança do RPG, cada jogador interpreta um personagem e todos vão criando uma história a partir de um início pré-estabelecido. Diferente dos Role Playing Games, porém, o Live Action dispensa mesa e dados indo ao encontro do teatro ao fazer com que os participantes encenem as aventuras ao vivo com direito a figurinos e às vezes até trilha sonora.
Num RPG, o jogador apenas descreve as ações. No Live, ele as vive - diz Bruno Pozzi, 18 anos, um dos mestres de Live na cidade. Mestres são os mediadores do jogo, responsáveis pelo correto andamento das situações em que os participantes vão se envolvendo ao longo de suas duas ou três horas de duração.
O mestre interfere nas situações para trazer os jogadores de volta à realidade - lembra Samir. É que tem uns caras que exageram. Uma vez fiquei irritado porque um jogador-personagem ficou dando tapas fortes na minha cara sem parar. Falei para ele parar, se não eu ia revidar - conta Eduardo Vieira.
Blade Runner Em Londrina, a turma mais conhecida de praticantes vem se reunindo desde o ano passado pelo menos uma vez por mês para jogar Vampire, história originalmente criada para RPG. Qualquer jogo de RPG pode ser transformado em Live. O que muda são as regras, e essas podem ser adaptadas ou recriadas - observa Pozzi.
Ainda segundo ele, qualquer outro assunto fora do universo do RPG - inclusive os mais sisudos - também podem virar diversão. Até a CPI dos precatórios, se o pessoal quiser - diz. O grupo, que conta com 50 adeptos, já atuou em aventuras inspiradas em super-heróis, na Era Vitoriana e no filme Blade Runner (O Caçador de Andróides). Para isso, usaram sedes estudantis, clubes sociais e até um restaurante do pai de um dos jogadores.





