Custou um pouco para pisarmos em terra firme pela primeira vez. Mas valeu a pena. Após um dia em alto-mar, desembarcamos na pequena cidade grega de Katakolon, cuja principal atração é nada menos que o Santuário de Olímpia, onde nasceram os Jogos Olímpicos, em 776 a.C. Até hoje, a cada quatro anos, na época do evento esportivo, é acesa a famosa tocha por lá.
A partir do porto de desembarque, meia hora de carro leva ao local sagrado. Barganhe o preço do trajeto com um taxista, prática que, aliás, deve ser aplicada durante toda a viagem, seja em transporte ou nas compras.
Situado entre os Rios Alpheios e Kledeos, perto da Ponte Kronos, o Santuário de Olímpia, construído em homenagem a Zeus, o deus supremo do Olimpo, é um dos mais importantes sítios arqueológicos da Grécia. Ficou soterrado por séculos, durante o longo período em que os jogos foram abolidos.
Diversas escavações, que tiveram início em 1723 e se estenderam até 1961, realizadas por grupos de estudiosos franceses e alemães, se encarregaram de resgatar parte da antiga cidade. Em 1989, Olímpia recebeu da Unesco o título de Patrimônio da Humanidade.
O que se vê hoje, portanto, é um amontoado de ruínas de pedra, restos de edificações e colunas dóricas de beleza sem igual. De cara, o visitante se depara com o primeiro ginásio olímpico de que se tem notícia, uma grande área ao ar livre utilizada no passado para o treinamento de atletas. Mas apenas uma pequena parte pode ser vista, pois o ginásio permanece debaixo da superfície.
Próximo dele estão restos de duas importantes construções religiosas: o Theokoleon, antiga residência de religiosos e seus assistentes, onde se realizavam cerimônias, sacrifícios e outros cultos; e a Igreja Bizantina, erguida no século 5 sobre o prédio antigo onde o artista Fídias, de Atenas, confeccionou a famosa Estátua de Zeus. A obra, 12 metros de altura, integrava a lista das sete maravilhas do mundo antigo. Foi destruída num terromoto em 170 a.C.
Atenção especial deve ser dada ao Estádio. Parcialmente restaurado pelo German Archeological Institute entre 1958 e 1961, ele abriga a emblemática pista de corrida de 200 metros que, de acordo com a mitologia, foi medida pelos próprios pés do deus Hércules. Lá, 20 esportistas podiam disputar uma corrida simultaneamente. Hoje, turistas empolgados correm em volta do estádio para serem clicados por câmeras fotográficas.
Além desses monumentos, há diversos templos que merecem um olhar atento, entre eles o de Zeus, de Hera e a Cripta. Quem quiser conhecer mais detalhes sobre eles e ir a fundo na história do santuário pode visitar o Museu Arqueológico, bem do lado das ruínas. Lá estão tesouros encontrados durante as escavações. Estátuas, vasos, jóias, vestimentas, armas e placas são apenas uma amostra do que guarda o museu.

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