Pessoas que trabalham com eles acreditam que estão envoltos em uma aura de mistério. A magia e o encantamento dariam vida própria aos bonecos de teatro, de tal forma que adultos e crianças seriam ‘‘enfeitiçados’’ por eles quando em cena. Alguns acreditam até mesmo que o público infantil sofre encantamento tal que não vê os humanos manipulando estes brinquedos e conversam com eles como se fossem reais.
Os bonecos foram utilizados através dos tempos para as mais diferentes atividades. O bonequeiro e ator londrinense Luiz Perrota afirma que há indícios da existência de bonecos em épocas muito remotas. ‘‘No Egito foram encontrados restos de bonecos em escavações arqueológicas, que datam do século 2 antes de Cristo. Acredita-se que os homens já utilizavam estes brinquedos anteriormente a esta época’’, afirma.
Na Grécia Antiga, segundo Perrota, os bonecos eram utilizados no ensino religioso infantil. Na era Medieval eles deixam de ter como público alvo as crianças. Estes objetos aparecem como peça importante junto aos pregoeiros, que levavam boas e más novas de corte em corte.
Os mensageiros eram os títeres (homens que manipulavam bonecos) que com seus brinquedos visitavam as mais diversas cortes e depois iam para as feiras livres, onde contavam tudo o que tinham escutado em suas andanças.
Na França e na Itália, a partir do século 15, o teatro de bonecos passa a ficar confinado nas cortes e se transforma em uma cultura de elite. Operetas, poesias e contos eram apresentados com marionetes. É a partir do século 18, segundo Perrota, que o teatro de bonecos começa a ser voltado para crianças, também. ‘‘É nesta época que surgem os contos de fadas adaptados para o público infantil. Porque até então eram historias trágicas, terríveis, contadas para adultos’’, conta.
Perrota afirma que no Paraná apenas Curitiba tem tradição em teatro de bonecos. Foi lá, onde morou por dez anos, que aprendeu a técnica japonesa de modelagem em porcelana. Por se tratar de um material caro, o bonequeiro adaptou a técnica para outros materiais e hoje trabalha basicamente com sucata. ‘‘É possível chegar a um resultado sofisticado a partir de materiais muito simples’’, afirma.
Há três anos trabalhando com teatro de bonecos, assim que retornou para Londrina, Perrota criou o grupo de teatro de bonecos infantil Era Uma Vez um Gato Xadrez. Desde maio de 1997 o grupo apresenta ‘‘A Estátua Encantada’’, baseada em contos da cavalaria.
Para criar seus personagens, Perrota utiliza materiais como luva simples, pó de porcelana misturado com resina, latex com espuma, papel machê, carta-pasta (técnica italiana que é uma variação de papel machê utilizada na confecção de máscara. Leva folhas de papel com cola de farinha de trigo).
Um pouco da magia e dos mistérios que envolvem estes brinquedos poderá ser conhecido no curso que Luiz Perrota realiza a partir de amanhã, no Sesc/Londrina. O bonequeiro irá ensinar os interessados a confeccionar e manipular bonecos. Os alunos irão aprender a fazer três bonecos diferentes a partir de uma adaptação da técnica carta-pasta.
Serão confeccionados bonecos de luva com tubo de papel higiênico, de pote plástico e de garrafa de plástico, todos com recapeamento e modelagem de papel e cola. Perrota irá também ensinar a fazer a maquiagem dos bonecos, o que é fundamental para conseguir as características de um personagem.
‘‘O boneco tem que ter uma expressão única, específica. É preciso achar o ponto de equilíbrio da expressão facial dele’’, explica. ‘‘A plasticidade do boneco tem que ter imperfeições para ele ser dramático’’. Os alunos irão também entrar em contato com os conhecimentos básicos do teatro de bonecos, como leitura dramática, adaptação de texto, roteiro, cenografia e sonoplastia. Serão 35 horas de curso, durante duas semanas, para pessoas a partir de 13 anos.
• Curso de confecção e manipulação de bonecos, a partir de segunda-feira, das 19 às 22h30, no Sesc/Londrina. Mais informações com Luiz Perrota (043) 327-3731.

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