Dona Vilma, a Yá Mukumby: documentário mostra sua trajetória familiar, política e cultural como líder do movimento negro
Dona Vilma, a Yá Mukumby: documentário mostra sua trajetória familiar, política e cultural como líder do movimento negro | Foto: Divulgação



Uma das pioneiras na militância pela luta da igualdade racial na cidade, Vilma Santos de Oliveira, popularmente conhecida como Yá Mukumby, será homenageada dentro da programação do 18º Festival Kinoarte de Cinema. A vida da líder religiosa e política que foi assassinada em Londrina há três anos é retratada no documentário "Dona Vilma", que tem sessão de estreia agendada para este domingo (20), às 21 horas, no Cineflix do Shopping Aurora (Gleba Palhano). A exibição integra a Premiere Especial Dia da Consciência Negra, que conta ainda com diversas produções brasileiras que abordam a temática, entre elas "Pitanga", filme premiado que investiga o percurso estético, político e existencial do ator Antonio Pitanga.

O documentário "Dona Vilma" é dirigido por Vanessa Santos de Oliveira, filha da líder religiosa. "O filme reúne imagens de acervo pessoal e conta com depoimentos dela em primeira pessoa e também de vários entrevistados de diversas áreas que falam sobre a sua luta em favor do Movimento Negro de Londrina", destaca a diretora sobre a produção que tem 25 minutos de duração.

Vanessa ressalta que o filme narra a trajetória da mãe em uma linha do tempo dividida em três fases. "Primeiramente eu a apresento como mãe e mulher. Na sequência retrato sua participação como militante do movimento negro da cidade e depois falo sobre sua atuação como Mãe de Santo", esclarece.

Ela conta que Dona Vilma chegou a Londrina com um ano de idade. "Ela veio pra cá trazida pela minha avó que havia ficado viúva em Jacarezinho e veio morar com meu tio. Minha mãe teve formação católica, a ligação com a umbanda e o candomblé surgiu na adolescência, quando teve um problema de saúde que a fazia dormir por dias seguidos. Preocupada com a situação, minha avó a levou a vários médicos sem que tivesse nenhuma solução. Foi então que resolveu levá-la até Chico Xavier, que disse que ela era uma grande médium que precisava desenvolver o seu dom. Ele previu ainda que ela se tornaria uma grande líder religiosa. Desde então ela passou a se dedicar à religião", lembra.

Vanessa Santos de Oliveira, filha de Yá Mukumby: "A política de cotas em Londrina se iniciou na cozinha de casa"
Vanessa Santos de Oliveira, filha de Yá Mukumby: "A política de cotas em Londrina se iniciou na cozinha de casa" | Foto: Ricardo Chicarelli



A popularidade alcançada como Mãe de Santo foi responsável pela militância política de Yá Mukumby. "Como era conhecida em toda a cidade, professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ligados ao Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos fizeram dela uma fonte de pesquisa antropológica e tudo isso a fazia circular por todas as áreas, sempre muito respeitada por toda sua experiência e por defender a cultura e religião negras com muita firmeza e, ao mesmo tempo, com leveza. O movimento de cotas em Londrina, por exemplo, se iniciou na cozinha de casa", enfatiza Vanessa, que começou a produzir o documentário no ano passado.

A programação dedicada pelo Festival Kinoarte ao Dia da Consciência Negra, conta com a exibição de outros sete filmes, com sessões a partir das 14 horas. Um dos mais aguardados é "Pitanga", documentário que narra a trajetória artística, política e pessoal do ator Antonio Pitanga. O filme será apresentado em Londrina pelo cineasta Beto Brant, que assinada a direção juntamente com a atriz Camila Pitanga, filha do artista homenageado.

Serviço:
18º Festival Kinoarte de Cinema
Premiere Especial Dia da Consciência Negra
Quando – Domingo (20), a partir das 14 horas
Onde – Cineflix do Aurora Shopping (Gleba Palhano)
Quanto – R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)
Programação completa disponível no site www.kinoarte.org/festival/

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