À luz dos projetos pedagógicos
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terça-feira, 31 de outubro de 2017
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Com a finalidade de mostrar o que tem sido feito por alunos e professores na rede pública de Londrina, a Secretaria Municipal de Educação realizou o "I Londrina Mais", uma feira que reuniu Ciências, Tecnologia e Matemática, composta por trabalhos de alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental. No total, foram expostos cerca de 500 trabalhos de mais de 80 unidades escolares de todas as regiões da cidade. A mostra, que foi realizada no Parque Ney Braga, também promoveu uma série de palestras, experimentos científicos e tecnológicos, além de atividades formativas para o professores e contação de histórias. O evento foi aberto a toda comunidade, sobretudo escolar.
Ao andar pelos corredores, era possível ver de perto inúmeras fotos, maquetes e objetos utilizados ou produzidos nos projetos pedagógicos das escolas que, muitas vezes, ficam restritos à própria instituição ou comunidade no entorno. Segundo a secretária municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes, houve uma adesão grande dos professores em participar do Londrina Mais, o primeiro na cidade nesse formato. "Tão importante quanto o apoio dos professores foi a participação e visitação dos alunos. Esse contato propicia que todos tenham ideia da rede de ensino da qual fazem parte e incentivam que outras ideias sejam implementadas", disse.
Um dos destaques da feira foi a "I Semana Cimatec", onde aconteceu a exposição "Show da Química e da Física", realizada pelo Museu de Ciências e Tecnologia da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Na tenda interativa, o público teve a oportunidade de participar de jogos e experimentos, bem como ter contato com linguagem de programação e geometria; observar microrganismos em microscópios e lupas, além de visitar a Biblioteca Móvel da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). Já na tenda interativa "Londrina Fli" houve contação de histórias, entre outras atividades abertas.

SISTEMA SOLAR
Um dos projetos realizados era o da professora de multimídias Luana Cardoso dos Santos, da Escola Municipal Atanázio Leonel (região Norte), que desenvolveu um Sistema Solar com os alunos para propiciar uma vivência diferente. Depois de iniciar a parte teórica sobre a formação do sistema e os planetas, e realizar exercícios e produção de texto, a professora ingressou com recursos tecnológicos usando imagens, vídeos e sons. O interesse deles foi tão grande que expandiu as atividades e os alunos do quinto ano produziram maquetes. "A ideia era que, assim, pudessem visualizar e diferenciar a relação de tamanho e distância entre os planetas e entender os movimentos de rotação e translação. Ficaram tão estimulados com a ideia que quiseram expor na semana cultural e explicar para os alunos menores", explica.
Mas não parou por aí. A própria professora que já havia feito uma visita ao Planetário de Londrina, diante da impossibilidade financeira em levar os alunos ao local, decidiu criar um planetário na própria sala. Não mediu esforços e, com muita criatividade, fez os planetas de papel alumínio de acordo com suas dimensões, usou lâmpadas de pisca-pisca para simular as estrelas e o sol era uma grande bola de isopor com papel colorido iluminado. Pendurou tudo no teto e cobriu as paredes e janelas com tecido preto para que a sala ficasse totalmente escura. "Com recursos simples e de baixo custo que estão disponíveis em tutorais de Ciências tentei reproduzir a ideia do Sistema Solar. Quando eles entraram na sala e viram aquele "universo" diante dos olhos, ficaram emocionados e ainda mais entusiasmados para estudar".
A ilusão criada pelo ambiente foi transportada, em partes, para o Londrina Mais para que alunos de outras escolas pudessem ter um pouco da mesma sensação. "Realizei o mini planetário de forma amadora, mas que cumpriu o papel de informar. Mais que isso, por causa da ludicidade, despertou nos alunos um interesse acima do corriqueiro por questões que não conseguiam compreender apenas vendo nos livros ou no computador", completa. A professora Jéssica Vilme, que estava visitando a feira com os alunos da Escola Municipal Professora Vilma Rodrigues Romero, comenta que também tentará colocar em prática o projeto em sua escola. "Vi vários projetos aqui, como esse, que são viáveis conforme nossa realidade. É muito boa essa troca de ideias", conta.

CULTURA INDÍGENA
A professora Bernardete da Silva, da Escola Municipal Santos Dumont (região Oeste), desenvolveu um projeto sobre a cultura indígena que culminou em um café da manhã com alunos e fabricação de objetos e artesanatos indígenas. "Foram várias aulas estudando sobre os costumes, a história, a língua, a vestimenta e a culinária. Como parte do projeto, aprenderam algumas danças que foram apresentadas na escola, quando utilizaram o pau de chuva que produziram com bambu. Em casa, junto com a família, executaram receitas utilizando ingredientes típicos da cultura indígena, mas que já estão incorporados em nossa cultura. Todos puderam degustar na escola posteriormente, já sabendo o significado de cada um dos pratos", explica a professora Gislaine de Mendonça que, paralelamente, trabalhou contos africanos e indígenas na Biblioteca.
MATEMÁTICA
Se existe uma disciplina que ainda possui muita resistência entre os alunos é a Matemática. De forma a superar as dificuldades e transformar o entendimento do universo dos números, a equipe Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, desde 2011, realiza o programa Alfabetização e Letramento em Matemática (ALFMAT) com os professores, cujo objetivo é ampliar o conhecimento na utilização de metodologias e mostrar possibilidades de recursos didáticos para o ensino da Matemática e, agora, amplia as possibilidades unindo a tecnologia. "A matemática está presente em todos os momentos da vida. Por meio da manipulação de jogos, incluindo em formato digital, vamos desmistificando e diminuindo qualquer dificuldade", explica Regina Aparecida Oliveira, coordenadora do programa.


