A luz de provença em Curitiba
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Elisa Marilia Carneiro e Zeca Corrêa Leite 
Obras de Cézanne, Chabaud, Courdouan, Bonnard, Renoir, Bernard e mais outros 30 mestres da pintura francesa estão em Curitiba para a exposição Luzes e Cores da Provença. A arte francesa do final do século passado e início deste, estará exposta na Casa Andrade Muricy, de domingo até o dia 29 de março. Os quadros pertencem ao acervo de diversos museus franceses.
DivulgaçãoJean Baptiste Olive - Le Quat de la Joliette à Marseille, 1889A mostra, considerada uma das principais já realizadas no Brasil, foi organizada pela União Latina, com base no projeto do Escritório Regional de Cultura da Região Provence-Alpes-Côte dAzur. O curador Denis Coutagne, conservador-chefe do Museu Granet, de Aix-en-Provence, observa que a exposição obedece ao rigoroso conceito da passagem da luz.
Segundo Coutagne, os pintores de Provença não tinham noção da luz e da cor do local onde viviam. Só vieram a valorizar - e descobrir - essa riqueza em que estavam imersos, à medida que os artistas parisienses tomavam contato com a região e se encantavam, ampliando cada vez mais sua fama.
DivulgaçãoAuguste Renoir - Paysage de Caignes, 1915O conceito da cor é realmente o que chama a atenção na exposição, mais do que a base do senso da linha. O curador diz que o próprio Cézanne chama a essa possibilidade de sensação colorida. Nessas obras está retratado o lado psicológico do artista. Através da cor está a expressão da alma, chegando à abstração.
A maioria dos quadros mostra paisagens em obras em que cresce a idéia da cor e onde o desenho é menos importante. Mas a mulher, o nu e a natureza morta também estão presentes. Em alguns casos, como em Renoir, a mulher é mostrada como um objeto da cor. Muitas vezes uma prostituta, uma cortesã ou a própria amante dos pintores, que levavam um vida muito liberal nessa época, afirma.
DivulgaçãoHenri Matisse - Nu Rose ou Nu Assis, 1901A exposição abrange um período de 70 anos, que vai de 1850 a 1920. É uma época marcada por importantes movimentos de arte na França, que vão do Naturalismo ao Pós-Impressionismo, aproximando-se ao Modernismo.
A proposta da mostra é levar ao público as obras separadas em três grupos distintos: os Naturalistas, os Fauves (selvagens) da Provença e A Sedução do Midi (referência ao Mediterrâneo).
DivulgaçãoPaul Cézanne - Les Baigneuses, 1896Cada grupo tem suas características, com destaque para algumas delas: os Naturalistas, ao assumir as tradições realistas-naturalistas do século XIX, pontificam principalmente nos centros regionais de Aix-en-Provenve, Avignon, Cannes, Marseille, Nice e Toulon. O movimento se fundamenta na observação da realidade.
Os Fauves da Provença são artistas nascidos na região mediterrânea. Aprenderam o ensinamento dos impressionistas e dos pós-impressionistas, passando a utilizar técnicas de cor e de composição características da pintura selvagem.
A Sedução do Midi abrange os anos do impressionismo, pontilhismo, fauvismo e cubismo, já no final do século XIX, quando pintores, principalmente os de Paris, visitam a região de Provença, onde soprava a brisa do espírito. Eles procuram a cor, luz e calor, hospedando-se em Estaque, Sain-Tropez, Cassis, Martigues e, principalmente, a Côte dAzur. Todo o futuro da arte nova está no Midi, afirmou o holandês Vincent Van Gogh, que infelizmente não está presente a essa exposição por não ter sido possível aos museus disponibilizarem um dos seus quadros .
Exposição Luzes e Cores da Provença - Casa Andrade Muricy, Alameda Dr. Muricy, 915. Tel: (041) 321-4723 e 321-4798. De 7 de fevereiro a 29 de março, de terça-feira a domingo, das 10h às 22 horas. Ingressos a R$ 5,00 e R$ 2,00 (estudantes).


