À luz da história
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de fevereiro de 1999
Maher Chmaytelli France Presse 
Ofuscado pelo brilho das civilizações da Mesopotâmia e do Índico, o Sudeste da Península Arábica, o antigo país de Magan, continua guardando muitos mistérios. As pesquisas iniciadas há 40 anos permitem reconstituir hoje uma parte do passado do que é atualmente a federação dos Emirados Árabes Unidos e Omán. Os sítios mais antigos conhecidos remontam a 7 mil anos antes de Cristo.
No terceiro milênio antes de Cristo, a região não estava afastada de seus poderosos vizinhos da Mesopotâmia, Irã e do vale do Índico, informa Sophie Mery, que dirige a missão arqueológica francesa nos Emirados.
Ao contrário, estava integrada em um vasto circuito de intercâmbios que uniam as regiões do Golfo ao Oceano Índico, acrescenta a arqueóloga.
No III milênio, a.C., Magan era o principal abastecedor de cobre da Mesopotâmia, exportado por via marítima.
Mas muitas outras mercadorias eram enviadas ao mercado mesopotâmico: pedra dura para as estátuas, jarrões de pedra, madeira etc., precisa Mery.
Em contrapartida, a Mesopotâmica exportava cereais, têxteis e lã, segundo os textos cuneiformes encontrados no Iraque e as descobertas feitas no oásis de El Ain, 160 km a leste de Abu Dhabi, a capital dos Emirados.
Muitos objetos encontrados nas tumbas descobertas nesta zona eram procedentes da Índia: ânforas, jarrões decorados e enfeites de marfim.
Os sítios arqueológicos em torno de Al Ain, as tumbas de Hili e os vestígios de Rumeillah constituem um campo de estudo privilegiado para entender como viviam os homens da civilização de Magan.
O modelo de exploração dos recursos permite reconstituir uma economia baseada na exploração de palmeiras e no cultivo de trigo, cevada, sorgo e legumes, explica Mery.
Como nos outros oásis da região, a agricultura e o meio ambiente estavam estreitamente condicionados às redes de extração e exploração das águas subterrâneas.
As casas eram constuídas de acordo com as mesmas normas de arquitetura que prevaleciam há algumas dezenas de anos, assinala a arqueóloga Anne Beoist.
As fundações de Rumeillah, que remontam ao primeiro milênio antes de Cristo, permitem deduzir que as casas eram construídas atrás de um pátio fechado ao exterior por uma muralha, que servia de proteção contra a areia.
Mas os mistérios da civilização de Magan continuam sendo mais numerosos do que as certezas.
Hili é talvez o exemplo de uma das 33 cidades de Magan destruídas pela Mesopotâmia jno século XXIII a.C., mas se ignora se havia um poder central ou se simplesmente se tratava de grupos locais capazes de federar-se para resistir ao invasor, explica Serge Cleuziou, pesquisador francês que trabalha no sultanato de Omán.
Também sabemos muito pouco sobre a religião. Até agora nenhum monumento foi identificado como templo nem encontramos nenhuma imagem, acrescenta.
Em Hili, as bumbas coletivas circulares, que chegam às vezes aos 14 metros de diâmetro, estão divididas em duas metades não comunicantes. Até agora ignoramos a que corresponde essa separação, pois em cada lado são encontrados restos de homens, mulheres e crianças, diz Mer.


