O teatro brasileiro não é só aquele que movimenta os palcos do Rio e São Paulo. Ele vai muito além da produção do eixo, mas a falta de divulgação e de informação faz com que permaneça restrito ao âmbito regional. Se depender da disposição e da boa-vontade demonstrada pela Rede Brasil de Produtores Culturais Independentes, esse panorama tende a mudar.
Foi este o principal destaque anunciado segunda-feira, no encerramento do encontro da Rede Brasil realizado em Curitiba, como um dos eventos paralelos do 6º Festival de Teatro. Depois de dois dias de discussões os membros da rede chegaram a um consenso: de que é preciso abrir canais de informação, para possibilitar o trânsito das produções não só dentro do País, como em eventos internacionais.
A Rede Brasil, entidade que reúne produtores de festivais de teatro, foi criada em 1993 durante o 3º FTC, e tem por objetivo trabalhar unicamente no sentido de abrir espaço às artes cênicas. Seu próximo encontro será em abril em Londrina, na Mostra Regional de Teatro. O tema das discussões: fazer uma análise das leis de incentivo à cultura que proliferam a cada dia, seja em nível municipal, estadual e federal.
Novos sóciosFuncionando como uma associação de abnegados, a Rede Brasil tem no momento 14 produtores, espalhados em diversos Estados. A meta agora será chegar a 80, para agilizar o processo de informação. Interessados em se agregar é o que não falta, afirmou o presidente da entidade, Ruy Cesar, da Bahia. Porém, ele lembra que ‘‘para viabilizar o projeto precisamos contar com membros em todo o Brasil’’.
O papel da entidade é também o de promover com segurança o amplo painel esquecido - ou desconhecido - da arte dramática brasileira. Movimentar dados sobre grupos e espetáculos é apenas uma das faces do trabalho. A outra será dar garantias aos artistas quanto à idoneidade dos festivais. Ou seja: que eles tenham direito ao cachê, estruturas para a montagem do espetáculo e acomodação decente.
Um trabalho que se encaixa nesta proposta é o elogiado ‘‘Deadly’’, espetáculo performático escolhido para correr o circuito brasileiro. Assim como ele, outros poderão seguir roteiro idêntico de viagens.
No caso de ‘‘Deadly’’ de certa forma ele antecipa uma premiação que será oficializada em outubro, em Brasília. Ela prevê exatamente isto: a escolha de um grupo para percorrer todos os festivais de teatro que se realizam no País. A Rede Brasil, contudo, enquanto amealha as produções internas, faz relações-públicas com o Mercosul e festivais espalhados mundo afora. A arte brasileira é universal, só falta ser conhecida pelos patrícios.
(Z.C.L.)

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